A Revolução do Homem entra na conversa quando o emprego deixa de ser a peça que segura salário, sindicato e autoestima ao mesmo tempo. Antonio Rezk não escreveu um manual de recolocação nem um panfleto de campanha. O volume, publicado pela Textonovo com 256 páginas e ISBN 978-85-85734-45-9, apresenta-se como parte de um estudo maior: redefinir uma perspectiva humanista que ainda pudesse ser vivida em sociedade, não apenas enunciada.
A edição que circula traz na capa o subtítulo “uma introdução”, o nome Antônio Rezk, a marca MHD-Ruptura e a linha “apresentação de Fábio Lucas”. O MHD é o Movimento Humanismo e Democracia, fundado em 1992, do qual Rezk era coordenador nacional. A marca na capa não é enfeite de coleção. Amarra o livro ao mesmo círculo de debates que, anos depois, alimentaria o volume póstumo Ruptura.
Que pergunta o livro faz
O texto de capa e a ficha da edição convergem num diagnóstico seco. O alvo é o esgotamento da civilização do trabalho e do sistema de dominação social e mundial que se apoiava nela. No lugar de prometer um novo modelo pronto, o livro aponta o conhecimento, tratado como sabedoria aplicável, como caminho para tirar as pessoas da subordinação econômica. A Assembleia Legislativa de São Paulo, na nota de 12 de agosto de 2005, chamou esse estudo de antropologia política e registrou edição em 2001. O catálogo da edição impressa aponta 2002. É o mesmo volume: brochura, 21 por 14 centímetros, 256 páginas.
Quem abre o livro a partir da trajetória do autor encontra um deputado que tinha passado por comissões de economia, finanças e relações do trabalho, e que em 1986 viu o próprio partido ficar sem cadeira apesar do seu voto pessoal. O ensaio não narra essa eleição. Usa outro vocabulário para o mesmo desencaixe: a função econômica do trabalhador tinha sido tratada como missão, e a técnica — informática, robótica, mecanização — já reduzia o peso da energia humana como força de trabalho. A tese, retomada na publicação póstuma, é que essa decadência do trabalho atinge ao mesmo tempo a autoestima de quem perde o emprego e as razões de quem passou séculos louvando a ética do trabalho.
Para quem a edição foi feita
A apresentação comercial da obra lista um público misturado de propósito: historiadores e políticos, jornalistas e escritores, curiosos e especialistas. Não é livro de uma disciplina só. A promessa pública é a junção de informação histórica com investigação sociológica, puxada por crítica social e por uma proposta de outro arranjo da sociedade. Isso combina com o percurso de Rezk, que era técnico de contabilidade e formado em estudos sociais, não um acadêmico de uma única cátedra.
Fábio Lucas assina a apresentação impressa na capa. O crédito o coloca na entrada do volume, não na autoria. Quem chega ao livro por esse nome encontra um apresentador, não um coautor.
O que a edição não é
Não é romance, não é coletânea de discursos da Assembleia e não é reedição de A cidade, de 1989, nem de A revolução tecnológica e os novos paradigmas da sociedade, de 1994. Também não substitui Ruptura: anomia na civilização do trabalho, que a Plena publicou em 2011, com 341 páginas, depois da morte do autor. A Revolução do Homem fica no meio dessa sequência: o ensaio em que a antropologia política já está nomeada e a ruptura ainda aparece como marca de movimento, MHD-Ruptura, antes de virar título de livro.
Exemplares usados continuam em sebos, vários com dedicatória do autor na folha de rosto. Isso mostra circulação fora da tiragem de lançamento. A edição de referência continua sendo a da Textonovo, com o ISBN acima.

