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Antonio Rezk

Nascimento: 1933 Marília, SP / São Paulo, SP
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Deputado estadual paulista e ensaísta de Marília. Liderou o PCB na Assembleia e presidiu o IPSO.

Em 15 de novembro de 1986, Antonio Rezk foi o mais votado do PCB para a Assembleia Legislativa de São Paulo e mesmo assim ficou de fora. Os 13.585 votos não alcançaram o coeficiente do partido, e a legenda não elegeu nenhum deputado naquele pleito. O nome que tinha acabado de liderar a bancada comunista no Palácio 9 de Julho saiu do mandato com uma conta eleitoral simples e uma pergunta que os livros seguintes tentariam carregar: o que acontece com a política quando o trabalho, base de salário, sindicato e voto, começa a encolher.

Quem busca Antonio Rezk hoje não encontra um romancista de prateleira nem um dirigente ainda em campanha. Encontra um vereador de São Paulo que virou deputado estadual, ensaísta e presidente do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos, o IPSO. Nasceu em Marília em 18 de maio de 1933, filho de Abrahão Calil Rezk e Catharina Hage Rezk, e morreu no Instituto do Coração, em São Paulo, em 12 de agosto de 2005.

De onde veio e o que estudou

A formação pública dele não passa por uma faculdade de direito nem por um curso de letras. Antes do mandato, Antonio Rezk se formou técnico de contabilidade pela Escola de Comércio 30 de Outubro e em Estudos Sociais pela Faculdade de Ciências e Letras de Ribeirão Pires. A combinação explica o tipo de texto que veio depois: menos crônica de gabinete, mais tentativa de ler economia, cidade e tecnologia como um só problema.

Casou-se com Elza Chaim Rezk. Os quatro filhos, registrados em homenagem da Câmara Municipal, são Eduardo Abrahão, Marcelo, Adriano Antônio e Cláudio. Em outubro de 1985, já deputado, integrou a delegação paulista convidada pelo governo da Síria para a Conferência dos Parlamentares Americanos Descendentes de Origem Árabe, em Damasco. O convite coloca no registro oficial uma origem árabe que o sobrenome sozinho não precisaria explicar.

Vereador em São Paulo, deputado na Assembleia

A vida pública começa com data fechada. Em 15 de novembro de 1972, Antonio Rezk foi eleito vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro, o MDB, do qual foi um dos fundadores, para a legislatura de 1973 a 1977 na Câmara de São Paulo. No pleito de 15 de novembro de 1976 candidatou-se de novo, ficou na suplência e ainda assim assumiu o mandato municipal.

O salto para o estado veio em 15 de novembro de 1978. Eleito deputado com 53.434 votos, ficou em oitavo entre os eleitos do MDB. Na legislatura de 1979 a 1983, foi membro efetivo da Comissão de Redação e, no primeiro biênio, substituto nas comissões de Economia e Planejamento e de Transportes e Comunicações. Entre 1981 e 1983, passou a efetivo em Economia e Planejamento e a substituto em Assuntos Metropolitanos.

  • 1972: eleito vereador pelo MDB em São Paulo, legislatura 1973–1977
  • 1978: 53.434 votos e o oitavo lugar entre os eleitos do MDB para a Assembleia
  • 1982: 73.142 votos e o 11º lugar na bancada do PMDB
  • 1986: 13.585 votos, o maior número do PCB, sem coeficiente para a legenda

A reeleição de 15 de novembro de 1982 já foi pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB, com 73.142 votos, 11º na própria bancada. No mandato de 1983 a 1987, no primeiro biênio, atuou como membro efetivo da Comissão de Finanças e Orçamento e como substituto na de Relações do Trabalho. Em março de 1986 fez parte da representação da Assembleia no congresso da Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras, a Conclat, em Praia Grande.

Líder do PCB quando o bipartidarismo acabou

Na política paulista dos anos 1980, o fim do bipartidarismo abriu espaço para siglas que tinham vivido na clandestinidade ou na margem. Antonio Rezk foi um dos refundadores do Partido Comunista Brasileiro e líder da legenda na Assembleia entre 1985 e 1987. Não era um mandato longo de partido grande. Era uma bancada curta, num prédio que ainda carregava o nome de 9 de Julho, no meio da transição.

O teste eleitoral veio no ano seguinte. Ser o mais votado do PCB em 1986 e ver a legenda inteira ficar sem cadeira mostra o limite do coeficiente: voto pessoal não vira mandato quando o partido não atravessa a linha. A Assembleia registrou o número. O restante da trajetória pública dele se deslocou para instituto, movimento e livro.

Ensaio, IPSO e a União Brasileira de Escritores

O primeiro livro datado na bibliografia pública é de 1978, ainda perto do vereador: A economia e a participação política dos trabalhadores, pela Livraria Editora Ciências Humanas. Vieram depois A cidade, em 1989, pela Novos Rumos, e A revolução tecnológica e os novos paradigmas da sociedade, em 1994, pelo IPSO e pela Oficina de Livros. O eixo não muda de prateleira. É a cidade, o emprego e o que a técnica faz com os dois.

A Revolução do Homem, edição da Textonovo com apresentação de Fábio Lucas, é o volume que a própria Assembleia citou na nota de morte como estudo de antropologia política. A capa traz a marca MHD-Ruptura. O MHD, Movimento Humanismo e Democracia, foi fundado por ele em 1992 com um grupo de intelectuais de São Paulo, e Rezk era o coordenador nacional. O IPSO, instituto que ajudou a fundar, tinha nele o presidente.

Na literatura, o cargo mais estável não foi uma academia de letras. Foi a União Brasileira de Escritores. A diretoria eleita em março de 2004 o tinha como primeiro vice-presidente. Também era vice-presidente do Instituto Astrojildo Pereira e integrante do conselho editorial da revista Novos Rumos, a mesma casa que tinha editado A cidade.

O que ficou depois de 12 de agosto

A nota da Assembleia, publicada no dia da morte, descreve o velório no Hall Monumental e o enterro marcado para as 10 horas de 13 de agosto de 2005, no Cemitério do Araçá. A sessão daquela sexta-feira foi levantada em homenagem ao ex-parlamentar. Tinha 72 anos.

Em 2011, a Plena publicou Ruptura: anomia na civilização do trabalho, volume póstumo de 341 páginas. A resenha de Marilucia M. Meireles e Marco Aurélio F. Velloso, no ano seguinte, situa o miolo nas reflexões dos últimos quinze anos de Rezk, depois da queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética, e liga esse esforço aos encontros que deram no MHD. O livro não reabre o mandato. Continua a pergunta que o coeficiente de 1986 já tinha deixado no chão: quando o trabalho deixa de organizar a vida política, que organização ainda resta.

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