Contexto e proposta de A Tragédia da Piedade
A Tragédia da Piedade é o livro em que o general Dilermando de Assis apresentou sua versão sobre a morte de Euclides da Cunha e sobre o atentado que sofreu em 1916. Publicado pelas Edições O Cruzeiro em 1951, poucos meses antes da morte do autor, o volume tem quase 700 páginas e reúne a defesa mais extensa que ele escreveu em vida.
O livro nasceu como resposta a A Vida Dramática de Euclides da Cunha, de Eloy Pontes, obra que consolidou a imagem de Dilermando como vilão do episódio. Para rebater o relato, ele retomou os autos dos dois processos — o de 1909, pela morte do escritor, e o de 1916, pela morte de Euclides da Cunha Filho — e reconstruiu, documento por documento, o que a perícia e as testemunhas haviam dito. O resultado é ao mesmo tempo memória, libelo e análise processual.
Uma parte importante do volume é dedicada a Os Sertões. Dilermando examina passagens do livro de Euclides, aponta erros de informação e levanta suspeitas de plágio, tentando mostrar que a obra máxima do escritor não era tão impecável quanto a consagração sugeria. É um dos primeiros textos a atacar publicamente o mito literário de Euclides — e um dos mais polêmicos.
Quem procura o livro costuma ter três interesses distintos. O primeiro é histórico: entender o outro lado da Tragédia da Piedade a partir de quem viveu o caso. O segundo é jurídico: acompanhar como a legítima defesa foi construída e sustentada em dois julgamentos separados. O terceiro é bibliográfico: o volume é edição antiga, esgotada há décadas, e virou item de colecionador entre leitores de história do Brasil e de true crime.
Vale ler com atenção ao contexto. Dilermando escreve em causa própria, décadas depois dos fatos, e sua versão não é neutra — estudiosos como Mary Del Priore, em Matar para não morrer, e Walnice Nogueira Galvão, em Crônica de uma tragédia inesquecível, oferecem contrapontos e documentos complementares. Para o leitor que já conhece o caso pelo lado de Euclides, o livro funciona como a peça que faltava para ouvir o acusado respondendo à imprensa da época.
A edição original saiu pela Edições O Cruzeiro, no Rio de Janeiro, com cerca de 700 páginas. Como não há reedição recente em catálogo, o caminho de compra mais comum é o mercado de livros usados — sebos e plataformas especializadas —, onde o título aparece de forma irregular. Vale conferir o estado de conservação e a edição antes de fechar a compra.

