Contexto e proposta de A vingança da história
Publicado em 2003, no mesmo ano em que Lula assumia a Presidência, A vingança da história reúne as reflexões de Emir Sader sobre o significado da vitória do PT e sobre os impasses que a esquerda enfrentaria ao governar. O livro parte de uma constatação que atravessa a obra do autor: a crítica acadêmica ao neoliberalismo havia sido vasta, mas quase ninguém havia esboçado uma teoria do pós-neoliberalismo — ou seja, do que viria no lugar do Consenso de Washington no Brasil.
Para construir esse esboço, Sader percorre um arco histórico amplo: da extinção da União Soviética à emergência do Fórum Social Mundial, da falência do modelo neoliberal às novas formas de conflito global, chegando às heranças deixadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso. O fio condutor é a ideia expressa no título: o fim das utopias proclamado nos anos 1990 cedeu lugar a crises, disputas e movimentos que recolocaram a política no centro do debate.
O livro interessa tanto a leitores de ciência política e história quanto a quem quer entender as apostas intelectuais que antecederam os governos do PT. É uma leitura de conjuntura com aspiração teórica, escrita por um autor que conjugava a pesquisa acadêmica e a intervenção no debate público.




