Breve história de um pequeno amor é o livro que deu a Marina Colasanti, em 2014, o Prêmio Jabuti na categoria Infantil e o Jabuti de Livro do Ano de Ficção. Publicado pela FTD com ilustrações de Rebeca Luciani, narra o encontro de uma escritora com um ninho e dois filhotes de pombo. A prosa é poética. O assunto é o cuidado: hesitar, acertar, ter medo, ter ciúme, soltar.
A primeira edição saiu em 2013. A FNLIJ considerou o volume Hors Concours, Prêmio Ofélia Fontes — O Melhor para a Criança, pela produção daquele ano. Em 2016, a versão em espanhol recebeu o Premio Fundación Cuatrogatos, na linha Para los que despegaron como lectores. O livro curto — 48 páginas na edição corrente — carregou um prêmio que o mercado reserva, em geral, a obras “adultas”.
A história sem estragar a leitura
Uma escritora encontra o ninho. Em torno dela e dos filhotes surgem outros personagens, e a narrativa ganha um entorno social visto com humor leve e olho crítico. A Taba descreveu o arco como a relação da autora com um pombo recém-nascido e o desafio de experimentar os sentimentos que só chegam a quem ousa cuidar de outro ser. O leitor é convidado, no fim, a expandir o horizonte — cúmplice da narradora, não aluno de moral.
Não é fábula de animais falantes. É observação. O crescimento dos filhotes espelha o que a escritora já sabia do ofício: criar é acompanhar até o ponto em que o outro segue sozinho, e ainda assim permanece. O Jabuti de Livro do Ano, numa obra infantil, confirmou o que Colasanti defendia na prática: o livro para criança não é degrau. É literatura.
Quem ilustra e para quem é
Rebeca Luciani, argentina, bacharel em Belas Artes, ilustrou mais de vinte livros infantis; três deles entraram no catálogo White Ravens. As imagens deste volume são parte da recepção: leitores repetem que o texto é breve e as ilustrações sustentam a releitura. A faixa etária da Amazon começa aos 9 anos. Adultos leem sem esforço. A FTD o posiciona no catálogo escolar, e ele funciona também fora da lista.
A edição à venda traz ASIN 8532284299, ISBN 978-85-322-8429-7, 48 páginas, cerca de 25 × 20 cm. A data de publicação listada na Amazon para a reimpressão corrente é 10 de novembro de 2020; o livro, enquanto obra, é o de 2013. Vale a pena conferir o ISBN para não levar outro título da autora com “amor” no nome — há vários.
Por que este, entre os Jabutis dela
Colasanti acumulou Jabutis em poesia, conto e infantojuvenil. Este é o que atravessou a fronteira do “livro do ano” sem ser romance. A escolha da ABL, em 2023, pelo conjunto da obra, dialoga com essa vitória: a Academia premiou quem nunca escreveu romance; o Jabuti de 2014 já tinha premiado um livro infantil como ficção do ano. Os dois gestos dizem a mesma coisa sobre o lugar dela.
Para a mediação, o volume é generoso. Dá para ler em voz alta numa sentada. Dá para discutir cuidado, cidade, trabalho de escritora e o que se faz com um animal frágil. Não exige aparato teórico. Exige atenção. Quem quer o Colasanti maravilhoso continua em Uma ideia toda azul. Quem quer o Colasanti ético da crônica vai a A casa das palavras. Quem quer o livro que o mercado literário brasileiro, por uma vez, tratou como centro — não como canto infantojuvenil — lê este.
A compra mais estável é a capa comum da FTD na Amazon. Usados circulam baratos; o objeto ilustrado perde pouco no conteúdo e muito se a capa vier rasgada. Para escola e para presente, o novo ainda faz sentido: 48 páginas, um ninho, e o Jabuti que a autora recebeu sem escrever o romance que o prêmio costuma esperar.




