Imagem de capa do perfil de Marina Colasanti
Foto de perfil de Marina Colasanti

Marina Colasanti

Nascimento: 1937 Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Escritora, jornalista e tradutora ítalo-brasileira (1937–2025), autora de mais de 70 livros. Ganhou vários Jabutis e o Prêmio Machado de Assis da ABL.

Em 2023, a Academia Brasileira de Letras entregou a Marina Colasanti o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra. Ela nunca havia publicado um romance. A frase parece contradição, e é exatamente por isso que descreve a escritora: mais de setenta livros em conto, crônica, poesia e literatura para crianças e jovens, sem precisar da forma “maior” para o reconhecimento chegar inteiro.

Marina Colasanti nasceu em Asmara, na então colônia italiana da Eritreia, em 26 de setembro de 1937, e morreu em casa, em Ipanema, no Rio de Janeiro, em 28 de janeiro de 2025. Quem a procura hoje quase sempre chega por um conto da escola — A moça tecelã, Uma ideia toda azul — ou pela crônica que ainda circula em vestibular e em lista de leitura. O jornalismo, a gravura, o feminismo institucional e a tradução ficam, com frequência, atrás do livro.

  • Escritora, jornalista, tradutora e artista plástica ítalo-brasileira, com mais de 70 títulos publicados.
  • Estreou em 1968 com Eu Sozinha; em 1978, Uma ideia toda azul abriu o caminho infantojuvenil que a tornou leitura escolar.
  • Trabalhou onze anos no Jornal do Brasil e dezoito na Editora Abril, na revista Nova.
  • Recebeu vários Prêmios Jabuti, o Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, em 2017, e o Prêmio Machado de Assis da ABL, em 2023.
  • Foi casada com o poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

Quem foi Marina Colasanti

Marina Colasanti (Asmara, 26 de setembro de 1937 — Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2025) foi uma das vozes mais estáveis da literatura brasileira contemporânea. Escreveu para adulto e para criança sem tratar o segundo público como versão menor do primeiro. O conto de fadas, nas mãos dela, não era enfeite: era forma para falar de poder, solidão, desejo e o que uma mulher faz quando a história clássica a deixa esperando.

O público escolar a conhece pelos livros da Global Editora e da FTD. O público adulto, pelas crônicas da Rocco e da Ática e pela poesia da Record. Os dois leitores estão certos. A obra é uma só, com registros diferentes. Ela mesma ilustrava muitos dos próprios livros infantis, retomando a formação em artes plásticas que precedeu o jornal.

A biografia institucional da autora está no site oficial e na Wikipédia. O que essas fichas não resolvem é a pergunta prática: por que o nome continua sendo buscado depois da morte. Porque os contos ainda entram na sala de aula, as crônicas ainda servem para ensinar olhar, e o Machado de Assis de 2023 confirmou o que o leitor de Uma ideia toda azul já sabia desde 1978.

De Asmara ao Parque Lage

Nasceu numa família de artistas. O pai, Manfredo Colasanti, foi ator; o irmão, Arduino Colasanti, também. A tia-avó Gabriella Besanzoni foi cantora lírica. A infância passou por Trípoli, na Líbia, e pela Itália. A Segunda Guerra e o pós-guerra empurraram a família para o Brasil em 1948. O destino foi o Rio de Janeiro. Entre 1948 e 1956, a casa foi o Parque Lage — o mesmo endereço que, em janeiro de 2025, recebeu o velório.

Estudou pintura com Caterina Baratelli entre 1952 e 1956 e, em 1956, entrou na Escola Nacional de Belas Artes, na cadeira de Professora de Desenho. Gravura em metal veio depois, com Orlando da Silva. Expôs no Salão de Belas Artes, no Salão de Arte Moderna, no Salão Paulista. Só em 1962 a carreira virou jornal: ingressou no Jornal do Brasil como redatora do Caderno B. A artista plástica não desapareceu. Voltou pelas ilustrações e pelas capas.

A Europa da infância deixou um hábito que ela descreveu ao Museu da Pessoa: não havia lembrança de uma casa sem livro. A mãe lia para ela antes de ela saber ler. No Brasil, o livro virou ofício. A formação visual explica o gosto pelo objeto: o livro infantil de Colasanti quase nunca é só texto. É página, gravura, cor e, no caso de A moça tecelã, bordado.

Jornalismo, revista Nova e o feminino

No Jornal do Brasil ficou onze anos. Foi redatora, repórter, editora, colunista, cronista e ilustradora. Editou o Caderno Infantil e escreveu resenhas no Suplemento do Livro. Saiu em 1973. Assinou seções em revistas como Senhor, Fatos & Fotos, Ele e Ela, Cláudia e Jóia. Em 1976 entrou na Editora Abril como editora de comportamento da revista Nova, da qual já era colaboradora. Permaneceu na casa até 1992, com passagem breve por Cláudia, e ganhou o Prêmio Abril de Jornalismo em 1978, 1980 e 1982.

O jornalismo não foi degrau descartável rumo à literatura. Foi o treino da frase curta e do tema público. As crônicas voltaram ao Jornal do Brasil entre 2005 e 2007 e ao Estado de Minas entre 2011 e 2014. Na televisão, apresentou e editou programas culturais na TVE, entre eles Os Mágicos, Sábado Forte e Imagens da Itália. Foi também publicitária na Agência Estrutural, entre 1975 e 1982.

Declarava-se feminista histórica. Entre 1985 e 1989 integrou o primeiro Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Desse trabalho saíram livros de não ficção sobre o feminino, entre eles Mulher daqui pra frente (1981). O tema não ficou só no ensaio. Voltou nos contos de fadas reescritos, em que a princesa caça, a tecelã desfaz o marido no tear e a espera deixa de ser virtude automática.

Contos de fadas, crônicas e o que ela escreveu

O primeiro livro, Eu Sozinha, saiu em 1968. É obra autobiográfica, não o conto maravilhoso pelo qual o nome se espalhou. O salto infantojuvenil veio em 1978, com Uma ideia toda azul: dez contos de fadas próprios, ilustrados pela autora, premiados pela FNLIJ e pela APCA. Dali em diante, o maravilhoso virou método. Doze reis e a moça no labirinto do vento, Entre a espada e a rosa, Ana Z. aonde vai você? e A moça tecelã consolidaram o recorte: fábula contemporânea com heroína que age.

Para o adulto, a crônica e o miniconto ocuparam outro andar. Eu sei, mas não devia (Rocco, 1995) levou o Jabuti de contos em 1997. A casa das palavras, na Ática, reuniu crônicas usadas em escola. A poesia chegou tarde, em 1993, com Rota de colisão, também Jabuti. Passageira em trânsito (Record, 2009) ganhou o Alphonsus de Guimaraens da Biblioteca Nacional e o Jabuti de poesia em 2010. A memória de guerra e migração entrou em Minha guerra alheia (2010), terceiro lugar no Portugal Telecom de 2011.

Traduziu literatura italiana, com destaque para As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, versão que entrou na IBBY Honour List em 2004. A tradução não era hobby: era continuação da infância bilingue e do ofício de quem atravessou línguas antes de atravessar gêneros.

Prêmios, livros e por onde começar

O Jabuti voltou várias vezes: Entre a espada e a rosa (1993), Ana Z. aonde vai você? e Rota de colisão (1994), Eu sei, mas não devia (1997), Passageira em trânsito (2010), Antes de virar gigante e outras histórias (2011). Em 2014, Breve história de um pequeno amor, publicado pela FTD com ilustrações de Rebeca Luciani, levou o Jabuti Infantil e o Jabuti de Livro do Ano de Ficção. Em 2017 veio o 13º Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil. Em 2023, o Machado de Assis pelo conjunto: a décima mulher a recebê-lo, segundo a cobertura da morte no G1.

Quem chega pelo vestibular começa por A moça tecelã: um conto curto, um tear, uma decisão. Quem quer o livro que abriu a carreira infantojuvenil vai a Uma ideia toda azul. Quem precisa de crônica para sala de aula encontra A casa das palavras. Quem busca o Jabuti de 2014, o livro do pombo e da escritora que observa, lê Breve história de um pequeno amor. A poesia fica para quem já entrou e quer o outro registro: Passageira em trânsito.

O arquivo vivo da autora continua no site marinacolasanti.com, com biografia, livros, crônicas e entrevistas. O perfil de autor na Amazon concentra edições em circulação. Casada com Affonso Romano de Sant'Anna desde 1971, deixou a filha Alessandra Colasanti, atriz, roteirista e diretora. A casa em Ipanema fechou em janeiro de 2025. Os livros, não.

O que você acha desta Autoridade?

Você conhece o trabalho de Marina Colasanti? Compartilhe uma avaliação responsável sobre os conteúdos, projetos ou serviços para ajudar outros leitores a formar uma opinião mais bem informada.

Projetos de Marina Colasanti

Uma ideia toda azul
Uma ideia toda azul
Dez contos de fadas de Marina Colasanti, ilustrados por ela, que em 1978 abriram sua obra infantojuvenil e seguem em sala de aula.
00%
00%
A moça tecelã
A moça tecelã
Conto em que a tecelã cria e desfaz a própria vida no tear, na edição ilustrada com bordados das irmãs Dumont.
00%
00%
A casa das palavras
A casa das palavras
Vinte e cinco crônicas de Marina Colasanti sobre miséria, violência e ambiente, volume da Ática usado em escola.
00%
00%