Contando a Arte de Djanira começa com uma confissão da própria pintora: “Comecei a pintar desenhando o mundo modesto que me cercava: meus animais, minha varanda, o interior da casa, retratos de vizinhos”. A frase, reproduzida na contracapa, funciona como chave de leitura para um livro que não tenta esgotar a obra de Djanira, mas oferecer ao leitor iniciante um caminho de entrada para ela.
Publicado em 2004 pela Editora Noovha América, o livro tem 47 páginas e integra a coleção Contando a Arte, dedicada a apresentar artistas brasileiros ao público infantojuvenil. A proposta é combinar narrativa biográfica, reproduções de obras e comentários curtos sobre o contexto de produção, de modo que a criança e o adolescente consigam relacionar a vida da artista com as imagens que estão vendo.
A trajetória de Djanira em linguagem acessível
Djanira da Motta e Silva nasceu em Avaré, em 1914, e teve uma vida marcada por deslocamentos. Ainda criança, foi para a divisa do Paraná com Santa Catarina, onde trabalhou na lavoura. Voltou a Avaré na adolescência, viveu em São Paulo e no Rio de Janeiro e enfrentou a tuberculose antes de se firmar como pintora. Autodidata, construiu uma obra ligada ao povo brasileiro, à religiosidade popular, ao trabalho e à vida cotidiana.
O livro percorre essa trajetória sem transformar a biografia em lição de moral. As passagens sobre a infância no campo, a migração para a cidade grande e a descoberta da pintura ajudam a explicar por que a artista voltava tanto a temas simples: a casa, a comida, os santos, os trabalhadores, as festas. É essa ligação entre vida e obra que sustenta a leitura proposta por Gesiel Júnior.
Um livro de introdução, não de catálogo
Quem procura um inventário completo da produção de Djanira não encontra aqui um catálogo raisonné. Contando a Arte de Djanira é uma obra de introdução, pensada para despertar interesse e fornecer primeiras referências. Para quem quer aprofundar, a biografia História de Djanira, brasileira de Avaré, publicada pelo mesmo autor em 2000, oferece 144 páginas e 42 ilustrações, com levantamento mais extenso sobre a vida da pintora.
Essa diferença de propósito ajuda a entender o lugar do volume na obra de Gesiel. Ele foi escrito depois da biografia e antes do livro de desenhos para colorir, lançado em 2014, e funciona como uma ponte entre a investigação histórica e a formação de novos leitores. A linguagem é direta, as seções são curtas e as imagens têm papel central, o que torna a leitura possível em sala de aula ou em casa.
Para quem o livro é útil
Professores de arte e de história encontram no volume um apoio para trabalhar o modernismo brasileiro, a produção de uma artista mulher e a relação entre arte e vida social. Estudantes podem usar o livro como primeira fonte sobre Djanira antes de recorrer a textos mais densos. Famílias e leitores iniciantes ganham uma apresentação breve, mas consistente, de uma pintora que nasceu no interior paulista e alcançou projeção nacional.
O livro também interessa a quem visita o Memorial Djanira, em Avaré. O espaço reúne obras, documentos, fotografias e objetos pessoais da artista e ajuda a contextualizar o que aparece nas páginas. A leitura antes ou depois da visita transforma o contato com as imagens em uma experiência mais informada.
Um livro para conhecer Djanira e continuar procurando
Contando a Arte de Djanira cumpre a função de uma boa obra de divulgação: apresenta o essencial, indica caminhos e não pretende substituir a investigação. A edição circula em sebos e no marketplace da Amazon, onde aparecem exemplares usados e novos. Para quem deseja começar a entender Djanira da Motta e Silva, é uma porta de entrada curta, ilustrada e comprometida com a trajetória real da artista.

