Contexto e proposta de Conversas na Barbearia Sol
Conversas na Barbearia Sol é um dos títulos da série Vana verba, em que Austregésilo de Athayde reuniu crônicas publicadas na imprensa brasileira. Lançado pelas Edições O Cruzeiro em 1971, o livro tem como referência a barbearia que dá nome à obra, cenário das conversas que organizam os textos.
O volume pertence à fase mais prolífica do autor no jornalismo. Ao longo dos anos 1960 e 1970, ele mantinha coluna diária no jornal O Jornal, escrevia semanalmente na revista O Cruzeiro e presidia a Academia Brasileira de Letras desde 1959. As crônicas desse período combinam o comentário político de quem se opôs ao Estado Novo e a observação de costumes, em textos escritos para leitura rápida no jornal.
A série Vana verba começou em 1966 e rendeu desdobramentos como este livro e a coletânea Alfa do Centauro. O título Conversas na Barbearia Sol é um exemplo do método de Austregésilo de Athayde: transformar um espaço comum do cotidiano urbano em ponto de observação para falar de política, comportamento e tipos brasileiros.
Hoje, o livro circula principalmente em sebos e bibliotecas públicas. Para pesquisadores da imprensa brasileira, ele documenta a produção de um editorialista que escreveu sobre o país por mais de setenta anos, desde a colaboração em A Tribuna, em 1918, até as últimas semanas de vida, em 1993.
A leitura é indicada a quem quer conhecer o cronista antes das homenagens: aqui está o jornalista que usava o espaço curto do jornal para discutir o presente, a mesma escrita que o levou à comissão redatora da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948. Exemplares usados aparecem com regularidade em livrarias de sebo.




