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Austregésilo de Athayde

Nascimento: 1898 Caruaru, Pernambuco
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Jornalista, professor e ensaísta pernambucano, presidiu a Academia Brasileira de Letras de 1959 a 1993 e integrou a comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Austregésilo de Athayde (1898–1993) presidiu a Academia Brasileira de Letras durante 34 anos, de 1959 até sua morte, e integrou a comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em 1948. Antes de se tornar a voz mais constante da Academia, foi repórter, tradutor, editorialista e um dos principais nomes dos Diários Associados, o grupo de jornais de Assis Chateaubriand.

A trajetória dele atravessa boa parte do jornalismo brasileiro do século 20: começou em jornais do Ceará e do Rio de Janeiro, passou pelo exílio político dos anos 1930, recebeu um prêmio internacional em 1952 e terminou a vida como defensor público dos direitos humanos. Esta página reúne o que há de verificável sobre sua formação, sua atuação na imprensa e seu papel na Academia.

Quem foi Austregésilo de Athayde

Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde nasceu em Caruaru, no agreste pernambucano, em 25 de setembro de 1898, e morreu no Rio de Janeiro em 13 de setembro de 1993, poucos dias antes de completar 95 anos. Filho do desembargador José Feliciano Augusto de Athayde e de Constância Adelaide Austregésilo de Athayde, era bisneto do tribuno e jornalista Antônio Vicente do Nascimento Feitosa.

Ainda criança, mudou-se com a família para o Ceará, acompanhando as transferências do pai na magistratura. Aos 12 anos entrou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde estudou até o terceiro ano de Teologia. Deixou o seminário, revalidou os preparatórios no Liceu do Ceará e passou a dar aulas particulares e em colégios como o Colégio Cearense e o Colégio São Luís. A imprensa entrou na vida dele como colaboração, antes de virar profissão.

A mudança para o Rio e o início no jornalismo

Em 1918, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Continuou no magistério, no Curso Normal de Preparatórios e no Curso Maurell da Silva, e iniciou a carreira jornalística no jornal A Tribuna. Em 1921, passou a colaborar no Correio da Manhã, dedicando-se à crítica literária, e depois em A Folha, de Medeiros e Albuquerque. No mesmo ano publicou seu primeiro livro, o volume de contos Histórias amargas.

Formou-se em 1922 em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do antigo Distrito Federal. O diploma não o afastou dos jornais: trabalhou como tradutor e redator nas agências de notícias Associated Press e United Press, atividade que o colocou em contato com a imprensa internacional. Em 1924, a convite de Assis Chateaubriand, assumiu a direção de O Jornal, ponto de partida da organização dos Diários Associados.

Oposição à Revolução de 1930, prisão e exílio

Adversário da Revolução de 1930, Austregésilo de Athayde participou ao lado de Assis Chateaubriand do movimento constitucionalista deflagrado em São Paulo em 9 de julho de 1932. Foi preso e exilado para a Europa em novembro daquele ano. Passou meses em Portugal, Espanha, França e Inglaterra e, em seguida, viveu em Buenos Aires, entre 1933 e 1934.

De volta ao Brasil, retomou as atividades nos Diários Associados como articulista e diretor do Diário da Noite e redator-chefe de O Jornal, do qual se tornou o principal editorialista. Mantinha a coluna diária Boletim Internacional e escrevia semanalmente na revista O Cruzeiro. Por essa atuação, recebeu em 1952, na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, o Prêmio Maria Moors Cabot, concedido a jornalistas das Américas.

O papel na Declaração Universal dos Direitos Humanos

Em 1948, integrou a delegação brasileira na III Assembleia Geral das Nações Unidas, em Paris, e fez parte da comissão redatora da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A própria Academia Brasileira de Letras registra que ele desempenhou papel decisivo nos debates e que foi reconhecido pelos colegas de comissão como o mais ativo colaborador na redação do documento, ao lado de nomes como Eleanor Roosevelt, Charles Malek e René Cassin.

O reconhecimento atravessou décadas. Em 1968, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, René Cassin afirmou publicamente que queria dividir a honra com o grande pensador brasileiro Austregésilo de Athayde. Dez anos depois, em 1978, o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, enviou-lhe uma carta em que reconhecia a liderança exercida por ele na elaboração da declaração. O próprio Athayde dizia que esse tinha sido o ato mais importante de sua vida.

A Academia Brasileira de Letras

Eleito em 9 de agosto de 1951 para a Cadeira 8, na sucessão de Oliveira Viana, tomou posse em 14 de novembro do mesmo ano, recebido por Múcio Leão. Coube a ele receber o acadêmico José Lins do Rego, autor de Menino de engenho, em uma das cerimônias que marcaram sua primeira década na casa.

Em 1959 assumiu a presidência da Academia, cargo que ocupou até 1993, sempre reeleito. Na presidência, conduziu a construção do prédio de 29 andares do centro cultural da casa, inaugurado em 20 de julho de 1979 ao lado do Petit Trianon e hoje conhecido como Palácio Austregésilo de Athayde. Também liderou projetos de preservação, como a reforma do Solar da Baronesa, em Campos dos Goytacazes, e a criação da Biblioteca Varnhagen, planejada para abrigar 250 mil volumes.

O que ele escreveu

A bibliografia de Austregésilo de Athayde é menor do que a fama dele poderia sugerir. Ele próprio dizia que não tinha interesse em publicar livros e preferia o jornalismo diário. Ainda assim, publicou ensaios, crônicas e contos ao longo de sete décadas. Entre os títulos mais lembrados estão:

  • Histórias amargas (1921), livro de contos;
  • Mestres do liberalismo (1951), ensaio;
  • Vana verba (1966) e Conversas na Barbearia Sol (1971), crônicas;
  • Epístola aos contemporâneos (1967), ensaio;
  • Filosofia básica dos direitos humanos (1976);
  • Orações de adeus (1998), edição póstuma da Coleção Afrânio Peixoto, da Academia Brasileira de Letras;
  • Diálogo - Direitos Humanos no Século XXI (2000), escrito com Daisaku Ikeda.

Parte dessa produção nasceu de colunas e séries publicadas em jornais e revistas, o que explica a variedade de assuntos: política, costumes, língua portuguesa e memória. Para quem se interessa por literatura brasileira, as coletâneas de crônicas reunidas em Melhores Crônicas e Crônicas de Natal funcionam como porta de entrada para o estilo dele.

Reconhecimento e legado

Ao longo da vida, recebeu 170 medalhas, placas e condecorações, segundo registra a Academia Brasileira de Letras. Em 1953, diplomou-se na Escola Superior de Guerra e passou a dar conferências na instituição; em 1991, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro. Em 1979, ano da inauguração do prédio anexo à Academia, ganhou o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte.

Ele dizia ter sido jornalista até o fim: como jornalista, fazia literatura e queria ser intérprete do próprio tempo. Outra frase resume o método de quem escrevia editorial todos os dias: jamais escreveu um artigo que não expressasse a linha de suas convicções democráticas.

A ligação com a Academia foi tamanha que o prédio construído sob sua presidência leva seu nome. Morreu no cargo, em setembro de 1993, e foi sucedido na Cadeira 8 por Antônio Callado. Sua passagem pela casa fundada por Machado de Assis deixou uma marca institucional rara: poucos presidentes permaneceram tanto tempo e tão envolvidos com o cotidiano da Academia.

Perguntas frequentes

Por que Austregésilo de Athayde é importante?

Porque ele uniu duas funções públicas decisivas no século 20 brasileiro: foi um dos jornalistas mais constantes de sua geração e participou diretamente da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Além disso, presidiu a Academia Brasileira de Letras por 34 anos, de 1959 a 1993.

Qual é a relação dele com a Academia Brasileira de Letras?

Foi eleito para a Cadeira 8 em 1951, recebeu acadêmicos como José Lins do Rego e presidiu a instituição de 1959 até 1993. O Palácio Austregésilo de Athayde, um dos prédios da ABL, foi inaugurado durante sua gestão.

Onde encontrar os livros de Austregésilo de Athayde?

As obras mais antigas circulam principalmente em sebos, bibliotecas e acervos digitalizados. Edições mais recentes, como as coletâneas de crônicas e o diálogo com Daisaku Ikeda sobre direitos humanos, aparecem com mais frequência em livrarias e marketplaces.

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Melhores Crônicas
Melhores Crônicas
Coletânea de crônicas de Austregésilo de Athayde organizada por Murilo Melo Filho para a Coleção Melhores Crônicas, da Global Editora.
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Crônicas de Natal
Crônicas de Natal
Coletânea póstuma de crônicas natalinas de Austregésilo de Athayde, publicada pela Paulinas com ilustrações de Odilon Moraes.
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Conversas na Barbearia Sol
Conversas na Barbearia Sol
Crônicas de Austregésilo de Athayde reunidas na série Vana verba e publicadas pelas Edições O Cruzeiro em 1971.
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