Crise e golpe, publicado pela Boitempo em 2018, parte da crise político-econômica brasileira e do processo que afastou Dilma Rousseff da presidência em 2016 para discutir algo maior: a relação entre Estado, direito e formação social no capitalismo periférico.
O que o livro analisa
A editora resume a obra como uma interpretação influenciada principalmente por Evguiéni Pachukanis e Louis Althusser, em que Mascaro examina como frações do capital se realinham em momentos de crise. O autor sustenta que o golpe não foi um acidente institucional, mas uma reconfiguração das formas políticas e jurídicas para sustentar a acumulação em um cenário de crise mundial — leitura que a Boitempo descreve como uma contribuição para entender a dinâmica e os limites da política brasileira recente.
Lugar na obra do autor
Se Estado e forma política (2013) constrói a teoria, Crise e golpe aplica o método ao noticiário: impeachment, operações judiciais, disputas entre poderes e reorganização do bloco no poder. O livro dialoga com o debate sobre judicialização da política e sobre o papel do direito em rupturas institucionais, tema que Mascaro já tratava em Crítica da legalidade e do direito brasileiro (Quartier Latin).
Para quem é este livro
- Leitores de conjuntura política e história recente do Brasil;
- Estudantes e pesquisadores de direito, ciência política e sociologia;
- Quem pesquisa o impeachment de 2016 e seus desdobramentos institucionais.
Como ler
Não é uma reportagem nem uma cronologia do impeachment: é um ensaio de interpretação, com categorias da crítica marxista do Estado aplicadas a fatos recentes. Por isso, rende mais para quem aceita o convite do autor de ler a crise política como parte de uma crise mais ampla das formas sociais.





