Entre Duas Fileiras é a autobiografia em que Gerald Thomas reconta a própria trajetória com a mesma teatralidade que marca seus espetáculos. Publicado pela Record em 2016, o livro percorre a infância nos Estados Unidos, a formação entre Londres e Nova York e a consagração nos palcos brasileiros, sem abandonar o humor seco e a ironia autorreferente que acompanham o autor desde os primeiros textos.
A narrativa é construída em camadas, como um caleidoscópio: memórias de bastidores, retratos de amigos e desafetos e reflexões sobre arte aparecem entrelaçados. Entre os encontros relatados estão Samuel Beckett, Jean Genet, Hélio Oiticica e Ellen Stewart, fundadora do La MaMa E.T.C., espaço decisivo para a formação do diretor.
O que a autobiografia revela
- a passagem por grupos experimentais de Londres e Nova York;
- a relação com Beckett e a adaptação de sua prosa para o palco;
- os bastidores de montagens que dividiram a crítica e o público;
- o processo de criação da Companhia Ópera Seca;
- os anos fora do Brasil e o retorno aos palcos nacionais.
O livro também expõe fraturas: amores, arrependimentos, erros e rompimentos são tratados com a franqueza que o autor sempre reservou a si mesmo em entrevistas. Na contracapa, Fernanda Montenegro assina um texto em que descreve a arte do diretor como algo que não se esquece depois de visto.
Por que ler
Entre Duas Fileiras funciona como chave de leitura para entender de onde vêm as obsessões estéticas de Gerald Thomas — a luz como personagem, a recusa da narrativa convencional, a desconfiança de qualquer verdade confortável. É indicado a quem acompanha teatro brasileiro, a leitores de memórias de artistas e a quem quer conhecer o percurso de um diretor que trabalhou em mais de uma dezena de países.




