Contexto e proposta de Evolução da prosa brasileira
Evolução da prosa brasileira é o volume em que Agrippino Grieco tentou narrar, num livro só, o percurso da prosa no Brasil até o ponto em que ele escrevia, no início dos anos 1930. Não é maço de resenhas com capa nova. É o par de Evolução da poesia brasileira, de 1932, e o texto em que o crítico de O Jornal passou da coluna diária ao panorama de conjunto.
A primeira edição saiu no Rio, pela Editora Ariel, em 1933, com 376 páginas. A Ariel era a casa fundada por ele e por Gastão Cruls, em atividade de 1930 a 1939. O volume de poesia do ano anterior, também pela Ariel, fecha o projeto: um livro para o verso, outro para a prosa. Quem lê só a biografia perde essa divisão. Ela organiza a fase em que Grieco deixou de depender do rodapé.
A segunda edição, revista, mudou de casa e de tamanho. Em 1947 a José Olympio relançou o livro com capa de Luís Jardim, 287 páginas, como tomo 3 das obras completas. A diferença em relação às 376 páginas de 1933 indica revisão, não reimpressão cosmética. As edições impressas de referência continuam sendo a Ariel de 1933 e a José Olympio de 1947, ambas fora de catálogo corrente.
A edição digital à venda na Amazon saiu em 20 de fevereiro de 2026, na série As Obras Completas de Agrippino Grieco, com preparação de Felipe Sabino de Araújo Neto. O arquivo tem 268 páginas, em português. O texto de apresentação dessa edição repete a nota biográfica do autor, da Central do Brasil a Caçadores de símbolos, e não substitui o panorama que o título anuncia. Quem compra esse arquivo compra o ensaio histórico, não uma biografia nova.
O leitor mais próximo é quem estuda a crítica brasileira da primeira metade do século XX e quem quer ver como Grieco arrumava o cânone em livro, depois de anos de coluna sobre Castro Alves, Machado de Assis e os lançamentos da semana. O objeto permanece o mesmo de 1933: a prosa brasileira julgada por um crítico nascido em Paraíba do Sul em 1888 e morto no Rio em 1973.

