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Agripino Grieco

Agrippino Grieco

Nascimento: 1888 Paraíba do Sul, RJ / Rio de Janeiro, RJ
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Crítico literário e ensaísta nascido em Paraíba do Sul em 1888. Fez a coluna de O Jornal, cofundou a Editora Ariel e escreveu os panoramas da poesia e da prosa.

Em 1957, no jubileu de cinquenta anos de crítica, Agripino Grieco disse à Folha da Manhã que nenhum “muar” tinha ficado impune nesse meio século, nem nos jornais nem nas conferências pelos estados. A frase é dele. Explica o interesse que o nome ainda desperta: o crítico temido do Rio, não um poeta de antologia.

Nos livros o prenome impresso é Agrippino. Nasceu em 15 de outubro de 1888, em Paraíba do Sul, filho dos italianos Pasquale Grieco e Rosa Maria Coviello, vindos da Basilicata. Morreu no Rio de Janeiro em 25 de agosto de 1973, aos 84 anos. No intervalo, saiu do expediente da Estrada de Ferro Central do Brasil para a coluna diária e para panoramas da literatura brasileira publicados em livro.

Paraíba do Sul, a Central e o primeiro livro

A cidade natal tinha biblioteca, e foi por ela que ele chegou a Camilo Castelo Branco e a Olavo Bilac. Em entrevista a Homero Senna, reunida em República das letras, Grieco contou que vinha de camponeses, que o pai era quase iletrado e só aprendera a ler no serviço militar, ainda na Itália, e que o filho, mesmo assim, namorava as estantes alheias. Nas páginas em branco dos livros de escrituração do negócio paterno, redigia romances de capa e espada. O relato corta a imagem de um crítico já nascido dentro da Academia.

Em 1906 mudou-se para o Rio e entrou no serviço da Estrada de Ferro Central do Brasil. Na conversa de 1957 com a Folha, descreveu o concurso, a prática do código Morse e a passagem à contadoria, onde ganhava 4 mil réis nos dias úteis e comia em casa de pasto. A estreia impressa veio em 1910, com os poemas de Ânforas, escritos sob a influência de Bilac e distinguidos com menção honrosa da Academia Brasileira de Letras. Em 1913, já casado, publicou os contos de Estátuas mutiladas. A Enciclopédia Itaú Cultural marca o silêncio editorial seguinte: de 1913 a 1920 ele leu clássicos e românticos e não lançou livro.

A coluna que era de Tristão de Ataíde

A reputação pública não veio do volume de poesia. Veio da coluna. Depois de textos em jornais pequenos, na Revista ABC e em Hoje, Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde, convidou-o a substituí-lo em O Jornal. O artigo de estreia tratou de Gregório de Matos. Esses primeiros textos foram reunidos em Fetiches e fantoches, no começo dos anos 1920, e em Caçadores de símbolos, de 1923, o volume de estudos literários publicado pela Livraria Leite Ribeiro.

Dali até a década de 1950 o ofício foi diário. A Itaú descreve colunas ecléticas, polêmicas e satíricas, sobre escritores brasileiros, estrangeiros e lançamentos. Nelas Grieco também se pôs como defensor de Castro Alves. O fio da pena era assunto público, e o próprio crítico o assumiu no jubileu. Na entrevista dos anos 1940 reproduzida por Homero Senna, ele recusou a lenda de que só destruía e apontou estudos em que tinha elogiado quem considerava talentoso. Ataque e elogio cabiam no mesmo expediente. Separar um do outro deixa o homem pela metade.

Ariel, José Olympio e os dois panoramas

Com Gastão Cruls, fundou a Editora Ariel, no Rio, em atividade entre 1930 e 1939. Respondeu pelo Boletim de Ariel, a revista literária principal daquele período. A casa ajuda a entender o salto do artigo para o livro de conjunto. Em 1932 saiu Evolução da poesia brasileira, pela Ariel. No ano seguinte, também pela Ariel, Evolução da prosa brasileira, com 376 páginas. A segunda edição, revista, veio em 1947 pela José Olympio, com capa de Luís Jardim, no volume 3 das obras completas, então com 287 páginas.

O par poesia e prosa é o núcleo do ensaísta. São tentativas de narrar, em volume, o que a literatura brasileira tinha produzido até o começo dos anos 1930. Em 1959 a José Olympio publicou Machado de Assis, estudo sobre Machado de Assis. A segunda edição, revista, saiu em 1960 pela Conquista. Títulos da mesma oficina, como Gente nova do Brasil (1935), Estrangeiros e Carcaças gloriosas, mostram o hábito de julgar o que se escrevia no país e o que chegava de fora, agora em livro de editora e não só em rodapé de jornal.

  • Ânforas (1910) e Estátuas mutiladas (1913), poesia e conto anteriores à crítica diária.
  • Evolução da poesia brasileira (1932) e Evolução da prosa brasileira (1933), os panoramas da Ariel.
  • Machado de Assis (1959), estudo longo publicado pela José Olympio.
  • Boletim de Ariel, a revista que ele conduziu enquanto a editora existiu.

Méier, Biblioteca Nacional e o acervo da UnB

Morou por muitos anos na rua Aristides Caires, no Méier, e era frequentador da Biblioteca Nacional. A biblioteca particular chegou a ser descrita com mais de 50 mil volumes. Depois da morte, o acervo foi vendido à Universidade de Brasília. A Enciclopédia Itaú Cultural registra mais de 30 mil títulos nessa venda. As contas não se anulam: uma mede os volumes reunidos em vida, a outra o conjunto de títulos que seguiu para a universidade.

No Méier, a praça com o nome dele guarda um busto feito em 1978. No Engenho Novo, uma biblioteca pública municipal também recebeu a homenagem. O filho primogênito, Donatello Grieco, organizou em 1988 Gralhas e pavões, com apontamentos inéditos escritos em tiras de papel. Donatello era casado com a tia paterna do cineasta Arnaldo Jabor. O laço é de família, não de trabalho em comum.

O que ainda circula com o nome dele

A Ariel encerrou a atividade em 1939. Não ficou curso, canal ou empresa em nome de Grieco. O título com edição digital recente, dentro da série das obras completas, é Evolução da prosa brasileira, publicada em fevereiro de 2026 com preparação de Felipe Sabino de Araújo Neto. Nas capas, o prenome impresso continua Agrippino. Fora delas, o uso brasileiro mais comum é Agripino.

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