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Olavo Bilac

Príncipe dos Poetas

Nascimento: 1865 Rio de Janeiro, RJ
Poeta parnasiano, jornalista e fundador da Academia Brasileira de Letras. Escreveu Poesias, o Hino à Bandeira e versos infantis ainda lidos na escola.

Muita gente encontra Olavo Bilac pela primeira vez num soneto de escola, aquele em que o poeta admite ouvir estrelas e provoca quem chama isso de loucura. O verso cola. O que costuma ficar de fora, nessa primeira impressão, é o tamanho da figura pública por trás dele: jornalista de redação, fundador da Academia Brasileira de Letras, letrista do Hino à Bandeira e voz de campanhas cívicas no começo da República.

O apelido de príncipe dos poetas, dado em 1907 pela revista Fon-Fon, ajuda a explicar o interesse, mas não esgota a pessoa. Bilac foi também cronista, inspetor escolar e autor de livros para criança. A poesia formal conviveu, na mesma vida, com jornalismo, hino cívico e aula.

Quem foi Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865 e morreu na mesma cidade em 28 de dezembro de 1918, de edema pulmonar e insuficiência cardíaca. Foi poeta, jornalista, cronista e contista. Junto com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, formou a tríade mais citada do parnasianismo brasileiro.

Filho do cirurgião militar Brás Martins dos Guimarães Bilac e de Delfina Belmira Gomes de Paula, conheceu o pai só depois da volta da Guerra do Paraguai. Aos 15 anos, com autorização especial, entrou na Faculdade de Medicina do Rio. Abandonou o curso no quarto ano. Tentou Direito em São Paulo e parou no primeiro. O jornalismo e a literatura ocuparam o lugar que a família esperava da clínica.

A estreia poética nos jornais cariocas veio em agosto de 1884, com o soneto A Sesta de Nero na Gazeta de Notícias. O livro Poesias, de 1888, consolidou o nome. Em 1897, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Conviveu, na imprensa e na vida literária, com nomes como Machado de Assis, Coelho Neto e Raul Pompéia.

Por que ainda o chamam de príncipe dos poetas

A eleição da Fon-Fon em 1907 não inventou a fama: confirmou uma reputação já feita em livro, jornal e salão. Bilac escrevia sonetos com métrica rígida, rima trabalhosa e vocabulário lapidado. O poema Profissão de Fé diz isso sem rodeio: o poeta se compara ao ourives que prefere ônix e cristal a pedra comum.

Há um detalhe que a escola às vezes apaga. O mesmo autor do verso frio e descritivo também escreveu poesia de amor, ciúme e corpo. Via Láctea, a série de sonetos reunida em Poesias, é o ponto em que muita gente descobre que o parnasiano carioca não era só mármore. O soneto que pede “amai para entendê-las” continua sendo o texto mais buscado do conjunto.

  • Parnasianismo: rigor de forma, soneto, descrição e gosto clássico, visíveis em A Sesta de Nero e em Profissão de Fé.
  • Lirismo: amor, saudade e morte atravessam Via Láctea e o livro póstumo Tarde.
  • Civismo: a letra do Hino à Bandeira, as campanhas pela alfabetização e a defesa do serviço militar obrigatório.
  • Infância e escola: Poesias infantis e o livro didático Através do Brasil, escrito com Manuel Bonfim.

Jornalismo, prisão e vida pública no Rio

Bilac viveu da imprensa. Colaborou em jornais e revistas como Gazeta de Notícias, A Semana e Diário de Notícias. Fundou folhas de vida curta, escreveu crônica, texto publicitário, sátira e livro escolar. Em 1891 foi oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio. Em 1898 virou inspetor escolar do Distrito Federal, cargo em que se aposentou pouco antes de morrer.

Republicano, fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Participou da fundação do jornal O Combate e chegou a ficar detido na Fortaleza da Laje. Depois da queda de Floriano, retomou a rotina carioca. Em 1897, ao perder o controle de um automóvel Serpollet na Estrada da Tijuca, entrou para a crônica da cidade como um dos primeiros motoristas a bater o carro no Brasil. O passageiro era o jornalista José do Patrocínio; os dois saíram ilesos.

Não se casou. O noivado com Amélia de Oliveira, irmã de Alberto de Oliveira, foi desfeito. Viveu só até o fim e foi sepultado no Cemitério de São João Batista, no Rio.

Hino, livros e campanha cívica

A letra do Hino à Bandeira do Brasil nasceu de um pedido do prefeito Francisco Pereira Passos. Francisco Braga fez a música. O hino foi apresentado pela primeira vez em 1906. Não é um detalhe lateral: para muita busca, Bilac é antes o autor do “Salve, lindo pendão da esperança” do que o poeta de Via Láctea.

A obra em verso se organiza em torno de Poesias, publicado em 1888 e ampliado em 1902, com séries como Via Láctea, Sarças de fogo, Alma inquieta, As viagens e o pequeno épico O Caçador de Esmeraldas. Em 1904 saíram as Poesias infantis, pensadas para a escola primária. O livro póstumo Tarde, de 1919, reúne sonetos da maturidade, com tom mais crepuscular. Fora da poesia “adulta”, o volume escolar Através do Brasil, escrito com Manuel Bonfim, levou geografia, história e narrativa de viagem para a sala de aula.

Nos últimos anos, Bilac cruzou o país em conferências pela alfabetização e pelo serviço militar obrigatório, já previsto em lei e só implementado depois. Em 1917 recebeu o título de professor honorário da Universidade de São Paulo. A crítica posterior, sobretudo depois do modernismo, tratou o parnasianismo com dureza. O nome dele, porém, não saiu da escola, do hino nem das antologias.

Como ler Olavo Bilac hoje

Há pelo menos três portas, e misturá-las costuma funcionar melhor do que escolher uma só. Quem quer o poeta de forma e fama começa por Poesias, em especial Via Láctea e Profissão de Fé. Quem lê com criança encontra um Bilac mais direto em Poesias infantis. Quem interessa o Brasil escolar do início do século XX vai a Através do Brasil.

O risco da leitura apressada é reduzir o autor a um adjetivo: parnasiano, cívico, escolar. Ele foi as três coisas, e a tensão entre elas é o que ainda torna o perfil útil. O mesmo homem que polia o soneto como joia também escreveu verso para criança, letra de hino e crônica de jornal. Ler Bilac hoje é acompanhar essa convivência, sem precisar escolher entre o ourives e o inspetor.

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Projetos de Olavo Bilac

Poesias
Poesias
Coletânea central da poesia de Olavo Bilac, com Via Láctea, Profissão de Fé, O Caçador de Esmeraldas e os sonetos de Tarde.
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Poesias infantis
Poesias infantis
Versos de 1904 escritos para a escola primária, com linguagem simples, rima clara e temas do cotidiano infantil.
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Através do Brasil
Através do Brasil
Livro escolar de Olavo Bilac e Manuel Bonfim que ensina o país por uma narrativa de viagem, geografia e história.
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