Contexto e proposta de Falcão – Mulheres e o Tráfico
Falcão – Mulheres e o Tráfico dá sequência ao projeto iniciado em Falcão – Meninos do Tráfico: Celso Athayde e MV Bill voltaram às favelas para ouvir um grupo pouco retratado, as mulheres que trabalham para o tráfico de drogas. O resultado é uma série de entrevistas em que elas falam sobre funções, motivações, medos e o lugar que ocupam na hierarquia do crime.
Publicado em 2007 pela Editora Objetiva, o livro dá sequência ao projeto iniciado dois anos antes e amplia o retrato construído pela dupla, mostrando como o tráfico atravessa relações familiares e de vizinhança. As entrevistas mantêm o tom direto dos volumes anteriores, sem julgamento prévio das escolhas de cada personagem.
O que o livro revela
As histórias reunidas no livro mostram que a presença feminina no tráfico vai muito além do papel de coadjuvante: há mulheres em posições de comando, no transporte de drogas, na contabilidade e na mediação de conflitos. Os depoimentos também tratam de maternidade, violência doméstica e da dificuldade de sair do crime quando ele já faz parte da rotina da comunidade.
A obra fecha uma trilogia informal sobre o tema e é, até hoje, uma das poucas publicações brasileiras que dão voz direta a esse grupo. O trabalho reforça a marca do projeto: escutar quem vive a realidade antes de teorizar sobre ela.
Para quem é indicado
O título interessa a pesquisadores de gênero e segurança pública, profissionais de assistência social e leitores que acompanham o debate sobre violência urbana. Também dialoga com quem trabalha com políticas para mulheres em territórios periféricos e quer entender como o crime organizado se estrutura por dentro.





