Contexto e proposta de Um País Chamado Favela
Um País Chamado Favela nasceu de uma pesquisa de campo que ouviu moradores de favelas brasileiras para responder a uma pergunta que o mercado evitava: o que a favela consome, produz e deseja? Escrito por Celso Athayde e Renato Meirelles, então presidente do instituto Data Popular, o livro apresenta essas comunidades como mercado consumidor e potência econômica, e não apenas como território de carência.
Publicado em 2014 pela Editora Gente, o trabalho ganhou o subtítulo "a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira" e chegou à terceira edição. Os capítulos cruzam dados de renda, consumo, moradia, trabalho e comportamento com histórias de moradores, desmontando a ideia de que a periferia é um bloco único.
O que o leitor encontra
O livro organiza os achados da pesquisa em torno de temas como a renda das famílias, o acesso a serviços, a mobilidade e as aspirações de consumo. A partir desses dados, os autores discutem o papel das empresas, do varejo e do poder público na relação com esses territórios, e mostram por que tratar a favela apenas como problema social custa caro ao país.
A obra dialoga diretamente com a trajetória de Celso Athayde: a mesma tese que ele levou para a CUFA e depois para a Favela Holding, de que a favela é lugar de negócios e de produção de cultura, aparece aqui em formato de pesquisa e argumento. Renato Meirelles, por sua vez, trazia a experiência do Data Popular, instituto especializado em mercados emergentes e nas classes C, D e E.
Por que o título continua sendo citado
Mais de uma década depois do lançamento, Um País Chamado Favela segue usado como referência por pesquisadores, empreendedores e gestores que trabalham com consumo e inclusão produtiva. Os números envelheceram, mas a mudança de olhar que o livro propôs permanece atual: entender a favela como mercado é ponto de partida para políticas e negócios que respeitem a realidade local.





