Homem-Urubu é o primeiro livro de ficção de Rogério Skylab. O anúncio público é de dezembro de 2024. A publicação é de 21 de março de 2025, em coedição da Kotter Editorial com a Madame Psicose. O ISBN 978-65-5361-391-1 identifica o volume no catálogo da Kotter. Antes dele, a bibliografia de Skylab tinha poesia, ensaio e crítica literária. Conto, não.
A editora descreve uma leitura que junta crítica social e humor ácido, com o grotesco e o poético no mesmo texto. Isso conversa com a reputação dos discos, mas o suporte mudou. Aqui não há faixa. Há narrativa. O Correio Braziliense tratou o lançamento em maio de 2025 como a estreia de Skylab na ficção. O título reencontra uma palavra que já nomeia Urubu, faixa do álbum Skylab, de 1999. A editora, porém, apresenta o livro como ficção, não como letra comentada nem como ensaio sobre a canção.
O que separar dos livros anteriores
Homem-Urubu não é reedição de Debaixo das Rodas de um Automóvel e não continua Lulismo Selvagem. O soneto de 2006 e o ensaio de 2020 seguem à venda como outros livros. Quem misturar os três compra três propostas. Neste, a proposta pública é a estreia na narrativa, com a Kotter dividindo a edição com a Madame Psicose, casa que anunciou o volume impresso no começo de 2025.
A sequência tem outro nome. Homem-rato foi anunciado por Skylab em 14 de abril de 2026 e publicado em 26 de junho de 2026, também pela Kotter. Quem terminar Homem-Urubu e quiser o passo seguinte encontra outro livro, não uma segunda capa do mesmo. A página de Homem-Urubu fica no primeiro. Tratar os dois como edição única apaga a diferença entre a estreia e o livro que veio depois.
Para quem faz sentido abrir este volume
O ouvinte antigo, o que conhece Motosserra e Matador de Passarinho, encontra aqui a mesma temperatura de linguagem sem o palco. O leitor que nunca viu um show e chega pelo conto brasileiro contemporâneo encontra um autor tardio na ficção, com décadas de letra já publicada em disco. Nenhum dos dois caminhos exige o outro. O livro se sustenta como objeto de leitura. O disco explica de onde vem a voz, não substitui a página.
A capa à venda na Kotter traz o título e o nome Rogerio Skylab sobre o vermelho, com a marca da editora. A Amazon lista o mesmo livro em capa comum. Não há, nessas páginas de venda, songbook, DVD ou caixa com a discografia. Homem-Urubu é um livro de ficção. O resto da obra continua em outros lugares: no site oficial, nos álbuns e nos volumes de poesia e ensaio que já estavam nas prateleiras antes de 2025.
A ficha da Kotter usa o código 9786553613911 e trata a edição como coedição. Não publica, na página aberta, o número de páginas nem a lista de contos. O que está dito é a natureza do livro: ficção, crítica social, humor ácido, grotesco e poético no mesmo movimento. A capa vermelha identifica o volume na loja. O enredo, não. Ele fica nas páginas de dentro, que a apresentação comercial não entrega de antemão.



