Imaculada: a Amazônia que nos deu à luz é o volume que fecha a trilogia literária de Oscar Araripe, publicado em 2024 pela Editora da Universidade Federal do Amazonas. São 682 páginas e 36 desenhos da série Uaupés, todos do próprio autor. Quem chega ao livro depois das telas de flores encontra o mesmo recorte: uma prosa que trata a floresta como personagem e a candura como ponto de vista.
O manuscrito começou longe da livraria. Entre 1972 e 1986, em Mirantão, no sul de Minas, Araripe escreveu cerca de 1.500 páginas a grafite sobre papel branco. Décadas de corte e maturação reduziram o bloco ao volume agora impresso. A origem mineira do texto importa: a Amazônia do livro passa por memória, utopia e deslocamento, não por reportagem de bordo.
O que a obra propõe
A voz que o autor chama de Imaculada — “a candura que fala” — conduz uma narrativa entre mito, crônica e poema em prosa. Há uma família de migrantes, uma avó amazônica, uma mãe cearense e um alter ego que observa o século como quem decide se vale a pena nascer nele. Conceitos que o pintor já espalhava em entrevistas e painéis reaparecem no livro: o Carnaval da Elevação, o Governo dos Poetas e Jardineiros, o Santuário da Amazônia.
A série pictórica Flores para a Imaculada Conceição, entronizada no Museu Aleijadinho, em Ouro Preto, funciona como irmã visual do volume. Pintura e literatura se emprestam motivo, não se repetem como catálogo. Os 36 desenhos da série Uaupés intercalam o texto e devolvem o leitor à mão do artista.
Para quem é este livro
O volume interessa a quem lê literatura brasileira contemporânea fora do romance de enredo linear, a quem acompanha o debate amazônico pela via estética e a quem já conhece Araripe pelas telas. A linguagem é longa, barroca e lírica, e pede leitura contínua.
- Editora: EDUA (Universidade Federal do Amazonas).
- Extensão: 682 páginas, edição ilustrada.
- Lugar na obra: terceiro volume da trilogia iniciada em 1975.
- Acompanhamento visual: 36 desenhos da série Uaupés.
Lançamento e circulação
O lançamento nacional ocorreu em 18 de dezembro de 2024, na Academia Cearense de Letras. Em 2025 o autor dedicou exemplares na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio, e na própria galeria de Tiradentes, durante a Semana Santa. Arnaldo Niskier e Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras, Ricardo Cravo Albin, do PEN Clube, e Sérgio Freire, da EDUA, comentaram a obra em textos de apresentação.
Na trilogia, Maria na Terra de Meus Olhos (Rocco, 1975) abriu o ciclo com prefácio de Antônio Houaiss; Marta, Júpiter e Eu (Marco Zero, 1983) aprofundou o tom de carta à natureza. Imaculada desloca o eixo para a floresta e para uma utopia que o autor insiste em tratar como presente, não como futuro distante. Quem já leu os dois primeiros volumes encontra aqui o desfecho; quem começa por este tem um livro autônomo, embora marcado pela mesma voz.
O acesso público mais estável é a página da obra no site do artista, com o volume à venda no circuito de livrarias e plataformas.


