Contexto e proposta de Instituto Reação
O Instituto Reação nasceu de uma aula de judô na Rocinha. No início dos anos 2000, Flávio Canto dava aulas como voluntário na comunidade, no projeto Educação Criança Futuro, e a experiência mostrou que o tatame podia funcionar como porta de entrada para algo maior. Em 10 de abril de 2003, com o treinador Geraldo Bernardes e um grupo de amigos, a iniciativa virou oficialmente uma organização social. A missão, repetida desde então, resume o método: formar “faixas-pretas dentro e fora do tatame”.
O trabalho parte do judô, mas não termina nele. O instituto acompanha crianças a partir dos 4 anos e segue com elas até o primeiro emprego, combinando treino esportivo, apoio educacional e desenvolvimento de competências. Os valores que orientam a jornada dos alunos são organizados em três ações: construir, conquistar e compartilhar.
Como os programas do Instituto Reação se organizam
A metodologia do Reação é chamada de Caminho Potente e se apoia em dois pilares principais — Reação Escola Faixa-Preta, de iniciação esportiva, e Reação Educação, de apoio escolar —, além de programas que atendem frentes específicas:
- Bolsas de Estudo, para dar continuidade aos estudos de alunos do projeto;
- Reação com Elas, focado em meninas e mulheres no esporte;
- Conecta, de conexão entre alunos, ex-alunos, voluntários e empresas;
- Reação Olímpico, voltado ao alto rendimento de atletas que competem dentro e fora do Brasil;
- Reação Jiu-Jitsu, para alunos que querem seguir nas artes marciais.
O alcance atual passa de 4 mil crianças e adolescentes atendidos por ano, distribuídos em dez polos, em cinco estados brasileiros: Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. A agenda de expansão começou a levar o modelo para fora do Rio a partir de 2020, com a abertura do polo de Cuiabá, e seguiu nos anos seguintes com unidades no Nordeste e em Minas.
Resultados e reconhecimentos do Reação
O resultado mais conhecido do instituto é a trajetória de Rafaela Silva, revelada pelo projeto e campeã olímpica nos Jogos do Rio, em 2016. Além dela, anualmente o time do Reação aparece no circuito nacional de judô — em 2019, foi considerado pela Confederação Brasileira de Judô o melhor clube da temporada pelo ranking da entidade, posição que voltou a ocupar em anos seguintes, com destaques também em competições internacionais e paralímpicas.
O reconhecimento público do trabalho inclui prêmios de gestão do terceiro setor, como o Prêmio Melhor ONG Esportiva do Brasil e o Prêmio 100 Melhores ONGs, além de parcerias com empresas e com o poder público para a manutenção dos polos. Em 2023, a organização comemorou 20 anos com o lançamento de um livro comemorativo, “Há mais de duas décadas transformando vidas”.
Como apoiar o projeto
Quem quer conhecer ou contribuir com o Reação pode acompanhar o trabalho pelo site institutoreacao.org.br, onde está o detalhamento de cada programa, dos polos e dos relatórios de transparência da organização. O instituto também mantém uma campanha de doações contínua em doe.institutoreacao.org.br, uma loja própria com produtos Reação e um serviço de consultoria para organizações que querem implementar metodologias de esporte e educação.
Para Flávio Canto, o Reação é o que dá sentido público à trajetória de atleta: um projeto em que o judô deixa de ser apenas modalidade esportiva e passa a funcionar como estrutura de oportunidades para quem começa longe das principais arenas.



