Contexto e proposta de Liberdade versus Igualdade
Liberdade versus Igualdade é o projeto mais ambicioso de Demétrio Magnoli como historiador: uma história política do século XX contada a partir da rivalidade entre duas heranças da Revolução Francesa. O primeiro volume, O mundo em desordem, cobre 1914 a 1945; o segundo, O leviatã desafiado, vai de 1946 a 2001. Os dois foram publicados pela Record, em 2011 e 2013, em coautoria com Elaine Senise Barbosa.
A chave do livro é direta: o lema "liberdade, igualdade, fraternidade" gerou duas famílias políticas. O "partido dos liberais" traduziu a liberdade em direitos individuais; o "partido dos socialistas" converteu a igualdade em plataforma de direitos coletivos, econômicos e sociais. A história contemporânea, escrevem os autores, pode ser narrada como a competição entre esses projetos para moldar as sociedades.
No primeiro volume, o foco está na catástrofe única da primeira metade do século: a Grande Guerra, a crise das democracias liberais e a ascensão do stalinismo e do nazismo — versões rivais de igualdade absoluta, a das classes e a das nações. O livro acompanha como pensadores, doutrinários e ideólogos atravessaram o período, dos fronts europeus aos laboratórios intelectuais do entreguerras.
O segundo volume retoma a história no pós-guerra: a Guerra Fria, a reconstrução da Europa, os impasses do Estado gigante e a reinvenção do liberalismo até a virada do milênio. É a parte da obra em que temas caros ao comentarista de hoje — populismo, capitalismo de Estado, disputa ideológica global — aparecem em sua forma histórica.
Para leitores acostumados a histórias do século XX organizadas por guerras e tratados, a duologia oferece outro eixo: a disputa entre projetos que ainda organizam o debate político. Os dois volumes estão à venda separadamente, em edições da Record, com o primeiro deles disponível no link principal desta página.





