Contexto e proposta de Macaco Simão no Cipó das Onze
Macaco Simão no Cipó das Onze é um dos primeiros livros de José Simão e marca a passagem da coluna de jornal para o formato de coletânea. Publicado pela Iluminuras, o volume reúne textos da fase em que o humorista comentava televisão e noticiário na Folha de S.Paulo e consolidava o apelido que se tornaria sua marca.
O título já anuncia o tom: o apelido Macaco Simão e uma expressão que sugere hora improvável. A seleção de crônicas acompanha o tipo de assunto que o colunista tratava na época: televisão, costumes e vida urbana, sempre com a mesma desconfiança divertida. É um retrato do fim dos anos 1980 e do humor que José Simão levava para a imprensa.
Para o leitor atual, o livro tem valor histórico. Ele mostra o momento em que a coluna de TV se transforma em comentário mais amplo, abrindo espaço para a política e para o cotidiano. A linguagem ainda está próxima do texto de jornal, mas já contém os recursos que o autor desenvolveria depois: a frase curta, o bordão e a capacidade de transformar uma cena banal em piada sobre o país.
A coletânea também ajuda a entender como o texto de jornal ganhava segunda vida em livro: quem acompanhava a coluna podia reler os textos e guardar os que mais gostava. O formato de coletânea acompanharia o autor por décadas, com títulos sobre política, televisão e memória pessoal.
É uma peça útil para quem quer ver o começo. Ele antecede Guia do Llamagate e A Esculhambação Geral da República, e ajuda a medir a distância entre o colunista de televisão dos anos 1980 e o comentarista político que se tornaria uma presença constante no rádio e na internet.
Para quem já leu as obras mais recentes, a leitura funciona como um retorno às origens. Para quem chega agora, é uma porta de entrada no humor de José Simão antes dos grandes personagens do rádio e das memórias de 2022. A edição disponível na Amazon ajuda a localizar o título.





