Contexto e proposta de Madame Satã
Madame Satã é o longa que transformou Karim Aïnouz de promessa do cinema independente em diretor com presença em Cannes. O filme retrata a vida de João Francisco dos Santos, artista e transformista que se tornou uma figura central da Lapa carioca nas décadas de 1930 e 1940. A narrativa acompanha a construção do personagem Madame Satã, seu trânsito entre a prisão, os palcos e a boemia, e a violência que atravessa a vida de quem vive fora das normas.
O roteiro foi escrito por Karim em parceria com Marcelo Gomes e Sérgio Machado. Para pesquisar a história, o diretor consultou arquivos jurídicos no Arquivo Nacional, conversou com pessoas que conviveram com João Francisco e visitou o túmulo da mãe dele no agreste pernambucano. Lázaro Ramos interpreta o protagonista, com Marcélia Cartaxo, Flávio Bauraqui, Emiliano Queiroz e Renata Sorrah no elenco.
O filme estreou na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes em 19 de maio de 2002. Lázaro Ramos e Marcélia Cartaxo receberam o Grande Otelo de melhor ator e melhor atriz, e a obra entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, em 2015. A fotografia de Walter Carvalho, com enquadramentos que fragmentam o corpo do personagem, tornou-se uma referência para se entender o cinema de Karim.
É um ponto de entrada importante para quem quer conhecer a fase inicial do diretor e o tipo de personagem que ele voltaria a explorar: alguém que recusa o destino imposto e inventa uma forma própria de existir.





