Contexto e proposta de Mãe Só Há Uma
Mãe Só Há Uma mostra Anna Muylaert em um território mais íntimo: a história de Pierre, um adolescente que descobre que a mulher que o criou não é sua mãe biológica. O impacto dessa revelação desmonta tudo o que ele sabia sobre si mesmo — o nome, a família, o passado — e deixa o personagem sem chão justo na idade em que a identidade ainda está em construção.
Lançado em julho de 2016, o filme estreou mundialmente no 66º Festival de Berlim, em fevereiro daquele ano, e recebeu o Teddy Award concedido pelo júri de leitores da revista alemã Männer, dedicado a produções com temática LGBTQIA+. O trabalho de Naomi Nero como Pierre e a atuação de Dani Nefussi, que interpreta duas mães na mesma história, são alguns dos pontos mais lembrados pelas críticas da época.
No elenco, também aparecem Matheus Nachtergaele, Daniel Botelho, Luciana Paes e Helena Albergaria. A escolha de tratar a sexualidade e a busca por identidade de um adolescente sem caricatura rendeu comparações com a maturidade narrativa de Que Horas Ela Volta?, lançado no ano anterior, e conversa diretamente com a obra literária da diretora, que costuma construir personagens a partir de conflitos concretos.
Mãe Só Há Uma é um drama sobre pertencimento e sobre as histórias que as famílias contam para se manter de pé. O longa está disponível para compra e aluguel no Apple TV, e funciona como uma boa porta de entrada para quem já viu os filmes mais famosos da diretora e quer entender sua fase mais autoral, em que o olhar sobre juventude e família ganha contornos mais ásperos.





