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Maíra — reescrita e dessacralização do mito

Educação Livro
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Ensaio de Ercília Macedo-Eckel sobre o romance Maíra, de Darcy Ribeiro: o mito indígena reescrito, o ritual dessacralizado e a crítica à catequese na ficção brasileira.

Contexto e proposta de Maíra — reescrita e dessacralização do mito

Maíra — reescrita e dessacralização do mito é o ensaio em que Ercília Macedo-Eckel analisa o romance Maíra, de Darcy Ribeiro, e o modo como o escritor e antropólogo reescreve o mito indígena na literatura brasileira. Publicado em 2000 pela editora Kelps, o livro retoma a pesquisa que a autora desenvolveu no mestrado em Literatura Brasileira da Universidade Federal de Goiás, concluído em 1994.

O que o ensaio propõe

No romance publicado em 1976, o mito de Maíra organiza a narrativa e atravessa o encontro violento entre indígenas, missionários e o Estado. Ercília acompanha como o ritual de sacrifício é reescrito e dessacralizado, transformado em paródia e em instrumento de crítica à catequese. A leitura não trata o romance como documento antropológico: trata-o como ficção que pensa, ao mesmo tempo, a formação do Brasil e os limites da representação do outro.

O título do livro anuncia o percurso da análise. Primeiro a reescrita, isto é, a maneira como Darcy Ribeiro recolhe o mito e o reorganiza em romance; depois a dessacralização, quando o sagrado cede lugar à paródia e o ritual perde o estatuto de cerimônia intocável. A operação não diminui o mito: desloca-o para o terreno da literatura e da crítica social.

Entre os fios que sustentam a análise estão a paródia do ritual, a presença da oralidade indígena na prosa de Darcy Ribeiro e a tensão entre projeto nacional e violência colonial. O ensaio dialoga com a fortuna crítica do romance e com os debates sobre as relações entre literatura e antropologia que marcaram a produção acadêmica brasileira a partir dos anos 1970.

Para quem é a leitura

Leitores de crítica literária, estudantes de Letras e pesquisadores da obra de Darcy Ribeiro encontram no volume uma interpretação de apoio para reler Maíra com atenção ao mito e ao ritual. O livro interessa também a quem acompanha a literatura de Goiás: a autora já havia assinado, em 1968, Um contista goiano, estudo pioneiro sobre os contos de Bernardo Élis, e manteve a pesquisa sobre a prosa regional ao longo da carreira.

A edição em capa comum está disponível no mercado brasileiro, e o ensaio funciona como porta de entrada para a produção da autora, que inclui ainda a poesia de Quarta dimensão e a prosa breve de Portais da viagem.

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