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Ercília Macedo de Morais Eckel

Ercília Macedo-Eckel

Nascimento: 1937 Goiânia, Goiás
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Professora, ensaísta e poeta goiana, Ercília Macedo-Eckel é autora de Um contista goiano, estudo pioneiro sobre Bernardo Élis, e do ensaio Maíra, sobre o romance de Darcy Ribeiro.

Ercília Macedo de Morais Eckel aprendeu a ler aos cinco anos em uma fazenda do interior de Goiás, com uma cartilha branca e preta e revistas evangélicas infantis, sob os cuidados da avó materna. A alfabetização aconteceu longe da escola, antes de a menina se mudar para a Cidade de Goiás, onde viveu parte da infância e da adolescência. Essa origem rural marcou o vocabulário e os temas de uma autora que faria do ensino de Língua Portuguesa e de Literatura o seu ofício, sem abandonar a escrita de ensaios, poemas e crônicas.

Da fazenda à sala de aula: a formação de Ercília Macedo

Nascida em 20 de fevereiro de 1937, em Palmeiras de Goiás, Ercília foi criada na Cidade de Goiás, a antiga capital do estado — cidade à qual se refere quando se apresenta como vilaboense. Estudou no Grupo Escolar Manuel Caiado, fez o curso de admissão ao ginásio e concluiu o ginásio e o colegial no antigo Liceu da cidade de Goiás, onde foi oradora da turma. Ainda jovem, mudou-se sozinha para Goiânia para prestar vestibular para Letras Anglo-Germânicas; interrompeu a faculdade ao se casar e retomou os estudos anos depois.

Formou-se em Letras Modernas em Anápolis, em 1966, e fez do magistério o centro da vida profissional. Lecionou Língua Portuguesa no Colégio Couto Magalhães e no Colégio Estadual José Ludovico de Almeida, deu aulas em cursinhos pré-vestibulares e integrou a primeira banca examinadora da recém-criada Faculdade de Direito de Anápolis, em 1968. Passou ainda pela Faculdade de Filosofia Bernardo Sayão, onde fez um curso de Metodologia do Ensino Superior em 1975 e lecionou depois. No início dos anos 1980, lecionou em Curitiba, no Paraná, em colégios estaduais e na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. De volta a Goiânia, deu aulas na Universidade Católica de Goiás e concluiu, em 1994, o mestrado em Letras e Linguística, na área de Literatura Brasileira, pela Universidade Federal de Goiás.

O estudo pioneiro sobre os contos de Bernardo Élis

Foi no fim da graduação, em 1966, que Ercília escreveu a monografia que a apresentaria ao meio literário goiano: Um contista goiano, um estudo sobre a obra de contos de Bernardo Élis. Publicado em 1968 pelo Departamento Estadual de Cultura de Goiás, o trabalho é descrito pela Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás como um estudo pioneiro sobre a produção de contos do autor de O tronco e Veranico de janeiro.

O interesse pela prosa regional não parou no livro. Entre o fim dos anos 1960 e meados dos 1970, a professora reuniu textos, respostas a questionários enviados a escritores e balanços literários publicados na imprensa para montar um panorama da prosa goiana. O material, com mais de 200 páginas datilografadas, foi entregue para publicação e acabou perdido; partes do estudo, porém, chegaram ao público em jornais como O Popular e Correio Braziliense, em textos sobre autores como Ursulino Leão.

Maíra: o ensaio sobre o romance de Darcy Ribeiro

Em 2000, Ercília publicou Maíra — reescrita e dessacralização do mito, ensaio em que analisa o romance Maíra, de Darcy Ribeiro. No livro, ela discute como o antropólogo recria o mito indígena na ficção e transforma o ritual de sacrifício em matéria de paródia e de crítica à catequese. A edição é da editora Kelps, e o ensaio acompanha a fortuna crítica do romance, publicado em 1976.

A leitura não trata o romance como documento antropológico, mas como ficção que pensa a formação do Brasil e os limites da representação do outro. A análise articula a dessacralização do mito, a presença da oralidade indígena na prosa de Darcy Ribeiro e a tensão entre projeto nacional e violência colonial — temas que atravessam a obra do autor e a discussão literária brasileira das últimas décadas.

Poesia, crônicas e os livros mais recentes

A partir dos anos 2000, a autora alternou o ensaio com a poesia e a prosa breve. Quarta dimensão: o tempo da palavra e outros tempos, publicado em 2005, reúne poemas sobre a memória, a passagem do tempo e o próprio fazer poético; o livro ganhou edição em capa comum pela Kelps. Já Portais da viagem: contos, crônicas, reflexões, lançado em 2020 em formato digital pela Gráfica e Editora Sete, organiza textos de gêneros diferentes em quatro partes — Partida, Longa travessia, Antecâmara e Último portal — e mistura lembranças de viagem, crônicas do cotidiano e reflexões sobre a escrita.

A produção recente mantém o ritmo. Em 2023, saiu Redação passo a passo, resultado de décadas de experiência em sala de aula com o ensino da escrita. Em 2025, veio Gaveta literária: apontamentos e seminários esquecidos, que reúne material de estudo acumulado ao longo da carreira. Os títulos se somam a ensaios, crônicas e poemas publicados em jornais, revistas e antologias de Goiás e de outros estados.

AFLAG, UBE e a presença em dicionários de escritores

A atuação institucional acompanha a produção literária. Ercília tomou posse na Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (AFLAG) em 9 de novembro de 1970, ocupa a cadeira nº 10 e é patrona da entidade. Tem poemas, crônicas e ensaios publicados nos anuários e nas revistas da academia, além de palestras e poemas gravados no acervo do Museu da Imagem e do Som de Goiás. É sócia da União Brasileira de Escritores (UBE/GO), sócia correspondente da Academia Petropolitana de Letras, no Rio de Janeiro, e, quando morou em Curitiba, integrou a Casa do Poeta do Paraná. Também é professora contratada da Universidade Estadual de Goiás (UEG), na unidade de Caldas Novas.

O nome da autora aparece em obras de referência como a Enciclopédia de literatura brasileira, de Afrânio Coutinho; Ensaístas brasileiras, de Heloísa Buarque de Hollanda e Lúcia Nascimento Araújo; o Dicionário enciclopédico de Goiás, de Ciro Lisita Júnior; o Dicionário de escritores de Goiás, de Mário Ribeiro Martins; e o Dicionário do escritor goiano, de José Mendonça Teles. Em 1983, um de seus poemas foi dramatizado no Teatro Guaíra, em Curitiba, durante a Quarta noite da poesia paranaense.

Por onde começar a ler Ercília Macedo-Eckel

  • Um contista goiano (1968) — estudo pioneiro sobre os contos de Bernardo Élis.
  • Maíra — reescrita e dessacralização do mito (2000) — ensaio sobre o romance de Darcy Ribeiro.
  • Quarta dimensão: o tempo da palavra e outros tempos (2005) — poesia.
  • Portais da viagem: contos, crônicas, reflexões (2020) — contos, crônicas e reflexões em formato digital.
  • Redação passo a passo (2023) e Gaveta literária (2025) — ensino da escrita e material de estudo.

A obra de Ercília Macedo-Eckel ajuda a entender a literatura de Goiás em perspectiva: ela estudou os contistas que a antecederam, escreveu sobre um dos romances centrais da ficção brasileira e seguiu publicando poesia e crônica em ritmo próprio. Sua trajetória também ilumina a presença feminina nas academias de letras e no ensino superior do Centro-Oeste desde a década de 1960.

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