Contexto e proposta de Martim Cererê
Martim Cererê é o poema épico que Cassiano Ricardo publicou em 1928 e que se tornou o marco de sua fase modernista nacionalista. O livro canta a formação do povo brasileiro e a expansão bandeirante, misturando história, mito e linguagem popular em versos que buscam as raízes do país.
Escrito no mesmo período em que Mário de Andrade publicava Macunaíma e Raul Bopp lançava Cobra Norato, Martim Cererê pertence à linhagem primitivista do Modernismo, que trocou o modelo europeu pela pesquisa da cultura brasileira. O poema acompanha a marcha para o oeste, a miscigenação e o encontro entre o indígena, o africano e o colonizador, com um ritmo que imita cantigas e narrativas orais.
O livro consolidou a projeção nacional do autor, rendeu traduções e segue como um dos títulos mais citados quando se estuda a vertente nacionalista do movimento de 1922. A edição em catálogo pela José Olympio, em sua 29ª edição (2003), mantém o texto em circulação para estudantes, professores e leitores de poesia brasileira.
Martim Cererê é leitura indicada para quem quer entender como o Modernismo brasileiro pensou a identidade nacional sem abrir mão da invenção formal. A obra dialoga diretamente com outros títulos do autor, como Vamos Caçar Papagaios e Jeremias Sem-Chorar, e ajuda a situar Cassiano Ricardo entre os poetas que atravessaram várias correntes do século 20.



