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Cassiano Ricardo

Nascimento: 1895 São José dos Campos, SP
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Poeta, jornalista e ensaísta, Cassiano Ricardo nasceu em São José dos Campos em 1895 e morreu no Rio de Janeiro em 1974. Ocupou a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras.

Cassiano Ricardo escreveu Martim Cererê, o poema épico de 1928 que transformou a formação do povo brasileiro e a saga dos bandeirantes em matéria de literatura. Nascido em São José dos Campos, no interior de São Paulo, em 26 de julho de 1895, e morto no Rio de Janeiro em 14 de janeiro de 1974, ele foi poeta, jornalista e ensaísta, e percorreu todas as fases do Modernismo brasileiro, do nacionalismo dos anos 1920 à poesia de vanguarda dos anos 1960.

Cassiano Ricardo Leite cresceu entre a cidade natal e a fazenda de café da família e começou cedo nas letras: aos nove anos já escrevia um jornalzinho manuscrito, e aos 16 publicou o primeiro livro de poesias, Dentro da Noite (1915), ainda sob influência parnasiana. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro em 1917 e fez da imprensa o segundo ofício: foi redator do Correio Paulistano entre 1923 e 1930, dirigiu o jornal A Manhã, no Rio, e criou revistas literárias que marcaram época, como Novíssima (1924), Planalto (1930) e Invenção (1962).

Qual foi o papel de Cassiano Ricardo no Modernismo

Cassiano Ricardo apoiou o movimento que desembocou na Semana de Arte Moderna de 1922 e atuou nos grupos Verde-Amarelo e Anta, ao lado de Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp e Cândido Mota Filho. Em 1926 publicou Vamos Caçar Papagaios e, no ano seguinte, Borrões de Verde e Amarelo, livros que firmaram sua fase nacionalista.

Em Martim Cererê (1928), levou ao limite o projeto primitivista e nacionalista, na mesma linhagem mitológica de Macunaíma, de Mário de Andrade, e de Cobra Norato, de Raul Bopp. O poema narra a formação do Brasil e a expansão bandeirante e é o livro que consolidou sua projeção nacional, com traduções para outros idiomas.

Em 1937, já afastado das ideias de Plínio Salgado, fundou com Menotti del Picchia e Cândido Mota Filho o grupo da Bandeira, movimento político que se contrapunha ao Integralismo, e dirigiu o jornal O Anhanguera, porta-voz da corrente.

Academia Brasileira de Letras e vida pública

Cassiano Ricardo foi eleito para a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras em 9 de setembro de 1937, na sucessão de Paulo Setúbal, e recebido por Guilherme de Almeida em 28 de dezembro daquele ano. Como relator da Comissão de Poesia, redigiu o parecer que concedeu a láurea a Viagem, de Cecília Meireles, o primeiro livro da corrente moderna consagrado pela instituição.

Na direção de A Manhã, reuniu uma equipe de jornalistas e intelectuais de vertentes diferentes, entre eles Cecília Meireles, José Lins do Rego, Vinicius de Moraes, Alceu Amoroso Lima e Gilberto Freyre. Fora da imprensa, foi secretário do governo de São Paulo, chefe do Escritório Comercial do Brasil em Paris, entre 1953 e 1954, e membro do Conselho Federal de Cultura a partir de 1967. Pertenceu ainda à Academia Paulista de Letras, na cadeira 11, e presidiu o Clube da Poesia de São Paulo, onde criou um curso de Poética e a coleção Novíssimos.

Como evoluiu a poesia de Cassiano Ricardo

A obra poética costuma ser lida em fases. A primeira, presa ao Parnasianismo e ao Simbolismo, vai de Dentro da Noite (1915) a A Mentirosa de Olhos Verdes (1924). A segunda, modernista e nacionalista, rende Vamos Caçar Papagaios (1926), Borrões de Verde e Amarelo (1927) e Martim Cererê (1928).

Da poesia íntima à vanguarda

Com O Sangue das Horas (1943) e Um Dia Depois do Outro (1947), o poeta passa ao lirismo introspectivo e filosófico. Nos anos 1950 e 1960, acompanha de perto o Concretismo e a poesia Práxis e publica Montanha Russa (1960), A Difícil Manhã (1960), Jeremias Sem-Chorar (1964) e Os Sobreviventes (1971). Em Jeremias Sem-Chorar, explora poemas tipográficos e visuais e usa o espaço da página como recurso de composição, sem abrir mão de uma voz própria.

A Fundação Cultural Cassiano Ricardo registra 23 livros de poesia escritos entre 1915 e 1971 e 18 livros em prosa publicados entre 1928 e 1970. Entre os ensaios, Marcha para Oeste (1940) estuda o movimento das entradas e bandeiras e foi traduzido pelo Fondo de Cultura Económica, do México. Martim Cererê também ganhou versão em espanhol, publicada em Madri.

Prêmios e homenagens

Cassiano Ricardo recebeu o Prêmio Carmen Dolores Barbosa em 1960, o Prêmio Jabuti em 1961 e 1965 e o Prêmio Juca Pato, como Intelectual do Ano, em 1965. O reconhecimento se estendeu à cidade natal e à capital paulista:

  • Semana Cassiano Ricardo, celebrada em outubro em São José dos Campos desde 1967;
  • Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que leva seu nome e mantém um portal com cronologia, acervo e poemas;
  • Biblioteca Pública Municipal Cassiano Ricardo, no bairro do Tatuapé, em São Paulo;
  • Dexistência, último livro, encontrado inacabado e publicado em 2010.

Onde ler Cassiano Ricardo hoje

Boa parte da obra segue acessível em edições brasileiras, como a de Martim Cererê pela José Olympio e a antologia Melhores Poemas Cassiano Ricardo, da Global Editora, com seleção e prefácio de Luiza Franco Moreira. Para quem está começando, a antologia funciona como porta de entrada para as fases do poeta; para quem estuda o Modernismo, Martim Cererê e Vamos Caçar Papagaios continuam leitura central.

Quem quiser continuar navegando pelo período pode explorar a página de literatura e o perfil de Oswald de Andrade, com quem Cassiano Ricardo manteve divergências estéticas dentro do movimento modernista.

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Martim Cererê
Martim Cererê
Poema épico de 1928 que canta a formação do Brasil e a saga bandeirante; marco da fase modernista nacionalista de Cassiano Ricardo.
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