Metade Cara, Metade Máscara é o livro que costuma apresentar Eliane Potiguara a novos leitores — e também o mais estudado de sua obra. Publicado em 2004 na Série Visões Indígenas, o texto mistura poesia, memória e reflexão para tratar da luta do movimento indígena no Brasil e no exterior, da migração forçada de famílias indígenas e do papel da mulher indígena na cultura e na sociedade brasileira.
O que o livro propõe
A obra parte da experiência de uma mulher potiguara para discutir temas coletivos: a violência que empurrou famílias inteiras para fora de suas terras, as consequências culturais desse deslocamento e a resistência organizada dos povos originários. Em vez de separar testemunho e criação literária, Eliane Potiguara costura os dois registros, alternando passagens de forte carga poética com a narrativa direta do que viu e viveu no movimento indígena.
É nesse cruzamento que o livro construiu sua reputação. A autora não trata a questão indígena como tema distante: escreve a partir de dentro, como quem participou das articulações que levaram a pauta para a Constituinte e para as Nações Unidas.
Por que a obra circula em escolas e universidades
Metade Cara, Metade Máscara ganhou leitura institucional. O livro foi adotado pelo Tribunal de Contas da União do Mato Grosso do Sul e pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, entrou na lista dos 200 livros importantes para entender o Brasil, publicada pela Folha de S.Paulo, e aparece nos anais de mostras científicas. Dissertações e teses analisam a obra em programas de pós-graduação, o que faz do título uma referência recorrente em cursos de letras, história e educação.
Quem deve ler
Professores que trabalham literatura indígena em sala de aula, estudantes que pesquisam o tema e leitores interessados em entender a história recente dos povos originários encontram no livro um ponto de partida sólido. A leitura também interessa a quem acompanha a produção de autoras indígenas contemporâneas e quer conhecer o trabalho que abriu caminho para tantas outras vozes.
Sobre a edição
A terceira edição, de 2018, foi lançada pela GRUMIN Edições, editora ligada ao trabalho da autora, e circula com exclusividade pela loja oficial da Moína Produções. Exemplares de edições anteriores também podem ser encontrados em sebos e livrarias online.





