Minha querida Catita Capivara não pede um enredo de aventura animal. Pede um leitor disposto a ficar numa madrugada do Rio ouvindo um homem falar com uma capivara solitária. Luiz Duarte da Rocha, que assina a capa como Luiz Duarte Rocha, arma o livro como romance fantástico-filosófico: Catita é ouvinte, e o assunto vai da origem da vida ao modo como a espécie humana trata o planeta.
A apresentação pública do lançamento, em dezembro de 2025, descreve um diálogo que atravessa evolução, formação do mundo e a saga da nossa espécie. O texto questiona a arrogância diante da natureza e aponta um ciclo de violência e ganância que, na leitura do autor, sai do Homo habilis e chega ao risco imposto a Gaia. Microbiologia e astrofísica entram no mesmo arco, junto com crítica social, racial e política. Tempo, morte e a ideia de uma eternidade individual aparecem como meditação, não como tese de manual.
Para quem o livro foi escrito
Quem chega pelo título pode esperar história infantil por causa da capivara. A sinopse empurra para outro lado. O bicho não é mascote. Funciona como presença antiga, silenciosa, contra a pressa humana. O leitor previsto é adulto, o mesmo que já conhece Duarte pelo teatro, pelo curta O menino e o poeta ou pelo nome completo na ficha de dramaturgo. Não há, no material do lançamento, indicação de faixa etária infantil nem de ilustração para criança.
Isso muda a expectativa de compra. O livro interessa a quem lê ficção filosófica brasileira recente, ensaio disfarçado de fábula e narrativa ambientada no Rio sem cartão-postal. A cidade entra como horário: madrugada, não praia de domingo. Catita fica no chão desse cenário, e o homem fala.
A edição e o lançamento na Barra
O encontro marcado com o público foi em 18 de dezembro de 2025, a partir das 19h, na Academia da Cachaça da Barra da Tijuca, na Avenida Armando Lombardi, 800, loja 65L. A capa usada na divulgação é vertical, fundo escuro, com o animal em primeiro plano. O nome do autor vai no alto, e a marca COMNIC identifica a edição mostrada no anúncio. A apresentação chama a obra de romance fantástico-filosófico.
O mesmo pacote biográfico lista outro livro recente, Encontro Ampliado da Cúpula BRICS 2024 — Memória e Comentários. São projetos diferentes. Catita é o romance. O outro título fica como memória da cúpula e não divide esta página.
Onde o livro se encaixa na trajetória
Décadas separam o Jabuti de 1988, associado a Irmão Grimm, Irmão Grimm, e este lançamento na Barra. No meio há palco, o Quintal das Artes em Botafogo, documentários científicos e o curta em que a voz de Drummond foi recomposta sílaba por sílaba. Catita não repete esse curta. Troca a estátua da Atlântica por uma conversa noturna com um animal da cidade. O gesto, porém, é parecido: pôr uma figura muda — poeta de bronze, capivara — para ouvir o que o autor quer dizer sobre o mundo.
Quem quiser o fio do autor além do volume encontra o Instagram @luizduarterocha, perfil marcado nas divulgações do título. A página do lançamento continua sendo o registro público mais claro de data, endereço e proposta do livro.

