O Museu do Expedicionário, em Curitiba, ocupa um prédio que nasceu como Casa do Expedicionário — a sede construída pela Legião Paranaense do Expedicionário, associação fundada em 20 de novembro de 1946 para reunir veteranos da Força Expedicionária Brasileira (FEB). O projeto vencedor do concurso que definiu essa sede, organizado no fim de 1950, era do engenheiro Euro Brandão.
Como a Casa do Expedicionário foi projetada
A diretoria da Legião Paranaense do Expedicionário lançou um concurso público para escolher o projeto da sede própria. Cinco propostas foram avaliadas, e os critérios estabelecidos pediam estilo clássico e traços monumentais capazes de expressar a memória dos soldados brasileiros que combateram na Segunda Guerra Mundial. A proposta de Euro Brandão foi a escolhida, e o prédio ficou pronto no início da década de 1950.
A Casa do Expedicionário foi inaugurada em 15 de novembro de 1951, na Praça do Expedicionário, no bairro Alto da XV, em Curitiba. O endereço passou a ser conhecido como a Praça do Avião, por causa do caça P-47 Thunderbolt instalado no logradouro.
Para que servia a casa
Na origem, o edifício não era apenas um museu. A Casa do Expedicionário oferecia serviços de assistência médica, odontológica e jurídica aos ex-combatentes e a seus familiares, além de funcionar como espaço para eventos sociais, culturais, educacionais e recreativos. O prédio também mantinha um hotel de trânsito, com quartos individuais, para receber veteranos do interior do Paraná que vinham à capital. Uma das salas foi destinada ao museu, então batizado Max Wolff Filho, em homenagem ao sargento paranaense morto na Itália.
De casa de veteranos a museu
Com o passar das décadas, a atividade assistencial perdeu peso e a coleção histórica ganhou espaço. Em 29 de julho de 1980, um convênio entre a Legião Paranaense do Expedicionário e a Secretaria de Estado da Cultura do Paraná transferiu ao Estado a administração, a conservação e a segurança do museu. A partir dali, o acervo cresceu e o prédio passou a operar principalmente como espaço museológico.
O que existe no acervo
O Museu do Expedicionário é considerado um dos mais completos acervos temáticos do Brasil sobre a Segunda Guerra Mundial. A coleção reúne documentos, fotografias, mapas, peças e ilustrações, além de material bélico como uniformes, equipamentos individuais e coletivos, armas e munições usados pela FEB, pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Marinha, sem contar itens e documentos de outras nações envolvidas no conflito.
No entorno, a Praça do Expedicionário funciona como extensão expositiva, com veículos e equipamentos militares, entre eles o caça P-47 Thunderbolt que dá apelido ao lugar.
Relação com Euro Brandão
O prédio é uma das obras de engenharia mais visíveis de Euro Brandão e antecede sua carreira na administração pública — ele só assumiria a Secretaria de Transportes do Paraná em 1973 e o Ministério da Educação e Cultura em 1978. O projeto de 1950 mostra a formação técnica do engenheiro pela Universidade Federal do Paraná e sua ligação com a vida pública de Curitiba. Para quem pesquisa a trajetória dele, o museu é um ponto de partida concreto: uma construção escolhida em concurso público, em uso há mais de sete décadas, no mesmo endereço onde foi inaugurada.



