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Euro Brandão

E. Brandão

Nascimento: 1924 Curitiba, Paraná
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Engenheiro, filósofo, escritor e professor curitibano (1924–2000). Projetou o Museu do Expedicionário, foi ministro da Educação e Cultura e reitor da PUCPR por 12 anos.

O prédio amarelo da Praça do Expedicionário, em Curitiba, nasceu de um concurso público vencido por um engenheiro que também escrevia filosofia e pintava telas. O projeto de Euro Brandão (1924–2000) para a sede da Casa do Expedicionário foi o escolhido no fim de 1950; quase três décadas depois, em 1978, ele assumiria o Ministério da Educação e Cultura do governo Ernesto Geisel.

A trajetória de Euro Brandão atravessa áreas que raramente convivem na mesma biografia: engenharia civil, filosofia, gestão universitária, administração pública, literatura e artes plásticas. Nascido em Curitiba em 31 de dezembro de 1924, filho de Nilo Brandão e Noêmia Santos Brandão, morreu na mesma cidade em 31 de outubro de 2000, depois de dirigir a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) por doze anos e de ocupar a cadeira 17 da Academia Paranaense de Letras.

Quem foi Euro Brandão

Quem procura o nome encontra primeiro o gestor público e o reitor, mas as outras faces completam o retrato: o engenheiro que assinou projetos de edifícios, o professor que ajudou a fundar uma faculdade de filosofia, o autor de livros sobre técnica e formação humana e o artista que deixou uma via-sacra e painéis históricos em espaços de Curitiba. A educação e a literatura foram dois eixos constantes dessa trajetória; a política paranaense e federal, o terceiro.

Formação e primeiros anos

Euro Brandão graduou-se em Engenharia Civil e em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná. Na UFPR, concluiu em 1968 pós-graduação em pontes em arco de concreto armado e em teoria da informação e introdução à cibernética. Anos depois, dirigiria o Centro de Computação Eletrônica da própria universidade.

Na juventude, aderiu ao integralismo de Plínio Salgado e militou em organizações como a Ação Integralista Brasileira, o Partido de Representação Popular e o Movimento Águia Branca, conforme registram estudos acadêmicos sobre o movimento. O dado situa politicamente uma geração paranaense e não resume o restante de sua atuação.

Foi professor fundador da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Curitiba (1950–1965), presidiu o Instituto de Engenharia do Paraná (1965–1966) e foi superintendente da Rede Viação Ferroviária Paraná.

Do governo do Paraná ao Ministério da Educação

Em 1973, assumiu a Secretaria de Transportes do Paraná no governo de Emílio Hoffmann Gomes, onde permaneceu até 1975. Em 30 de maio de 1978, o presidente Ernesto Geisel o nomeou ministro da Educação e Cultura, em substituição a Ney Braga.

À frente do ministério, buscou implantar um programa nacional para a pré-escola e projetos-piloto de melhoria da educação rural no Nordeste. Deixou o cargo em 14 de março de 1979, no fim do governo Geisel, e foi sucedido por Eduardo Portella. Entre 1979 e 1983, presidiu o Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep).

Reitor da PUCPR e a Academia Paranaense de Letras

De 1986 a 1998, Euro Brandão foi reitor da PUCPR — doze anos no comando da instituição. Em 1992, tomou posse na cadeira 17 da Academia Paranaense de Letras, sucedendo Flávio Suplicy de Lacerda. Também foi eleito para a Academia Nacional de Engenharia e para a Academia Internacional Greci-Marino, na Itália, ambas em 1996, e presidiu o Instituto Iguaçu, no Rio de Janeiro, entre 1995 e 2000.

O engenheiro e o Museu do Expedicionário

Entre as obras de engenharia ligadas a seu nome, a mais visitada é o prédio do Museu do Expedicionário. O projeto foi escolhido em concurso organizado no fim de 1950 pela Legião Paranaense do Expedicionário, que buscava uma sede própria para atender veteranos da Força Expedicionária Brasileira. A Casa do Expedicionário foi inaugurada em 15 de novembro de 1951, na Praça do Expedicionário, no Alto da XV.

O artista: Guido Viaro, a via-sacra e O Grande Êxodo

A pintura, cultivada em paralelo à engenharia, ganhou espaço próprio na biografia. Discípulo de Guido Viaro, Euro Brandão deixou uma via-sacra na Paróquia Universitária Jesus Mestre, no campus da PUCPR, e fundou, em 1993, a Associação Brasileira de Artistas Cristãos.

Sua produção aparece em referências como o Dicionário de pintores brasileiros, de Walmir Ayala, e em exposições registradas pela Enciclopédia Itaú Cultural, entre elas o 1º Salão Paranaense de Belas Artes, de 1944, e a mostra Tradição/Contradição, de 1986. O painel O Grande Êxodo, pintado em 1982 em acrílico sobre lona, integra o acervo do Museu Paranaense e retrata a saída de jesuítas e indígenas guarani das reduções do Guairá.

Livros publicados

Além de artigos e discursos ligados à vida acadêmica, publicou quatro livros:

  • O Século da Máquina e a Permanência do Homem (Edições G.R.D., 1992);
  • Valorização Humana na Empresa (Educa/Isad, 1995);
  • Universidade e Transcendência (Champagnat, 1996);
  • Uma Vida Preciosa (Champagnat, 1997).

Os títulos seguem disponíveis em acervos públicos e no mercado de livros usados, e ajudam a entender as ideias que ele defendeu na universidade e no ministério.

Homenagens e legado

Entre os reconhecimentos registrados em sua trajetória estão:

  • professor emérito da UFPR (1978);
  • doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1978) e pela Universidade de Ciências de Okayama, no Japão (1992);
  • Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito da França (1979);
  • comendas do mérito Rio Branco (1975), de Brasília (1976), Naval, Aeronáutica e Militar (1978);
  • o Centro Acadêmico de Engenharia Civil da PUCPR leva seu nome.

Em 1997, ele revisitou parte dessa história em entrevista ao programa Memória Paranaense, gravada naquele ano. Três anos depois, em 31 de outubro de 2000, morreu em Curitiba.

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Museu do Expedicionário
Museu do Expedicionário
Sede construída pela Legião Paranaense do Expedicionário com projeto de Euro Brandão, inaugurada em 1951 e hoje um dos principais museus sobre a Segunda Guerra no Brasil.
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O Grande Êxodo
O Grande Êxodo
Painel de 1982 pintado por Euro Brandão, em acrílico sobre lona, que retrata o êxodo de jesuítas e indígenas guarani do Guairá e integra o acervo do Museu Paranaense.
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