Negativo é o livro com que Augusto Massi chegou à poesia depois de anos editando poetas e escrevendo crítica na Folha de S.Paulo. Publicado em 1991 pela Companhia das Letras, o volume tem 112 páginas e uma dicção que já nasceu madura: versos livres, brancos ou rítmicos, escolha precisa de palavras e atenção ao que existe de estranho no cotidiano.
Sobre o que fala Negativo?
O livro não se fecha em um tema único. A morte aparece em "Ser"; a vida urbana, em "Rondó da consolação" e "Cemitério do Araçá"; a metalinguagem, em "Caixa de ferramentas"; a autopercepção do poeta, em "Nudez" e "Viagem ao redor do quarto"; o encontro amoroso, em "Bicicleta" e "Confissão banal". O conjunto forma um retrato da passagem do poeta pela cidade e pelas suas próprias dúvidas, sem tom confessional excessivo e sem concessão ao fácil.
Por que o livro se chama Negativo?
O título vem das pranchas da fotografia analógica, aquelas em que a imagem aparece invertida antes de revelar o resultado final. A metáfora serve bem ao método do poeta: observar o avesso das cenas comuns para que o poema mostre nelas o que a rotina esconde. É um procedimento que exige disciplina de linguagem e rende poemas curtos, de leitura rápida e repercussão longa.
O que a crítica destacou na estreia?
A economia de linguagem e o cuidado com o léxico aproximam Massi do poeta João Cabral de Melo Neto, enquanto o flagrante do inusitado no meio do dia a dia lembra a poesia de Carlos Drummond de Andrade. A comparação, registrada pela Enciclopédia Itaú Cultural, ajuda a situar o livro no panorama da poesia brasileira dos anos 1980 e 1990, quando uma geração retomou o verso livre com desconfiança da retórica.
Como Negativo se situa na obra do autor?
O livro de estreia saiu no mesmo período em que Massi dirigia a coleção Claro Enigma, na Editora Duas Cidades, e ajudava a firmar uma geração de poetas nas livrarias. Dez anos depois, veio o segundo livro de poemas, Vida errada (2001). Ler Negativo hoje é acompanhar o momento em que um leitor profissional de poesia decide escrever a própria obra — com o repertório dos modernos e a exigência de quem já editou muita gente boa.
Para quem é este livro?
Negativo interessa a leitores de poesia contemporânea que preferem o poema curto, o substantivo concreto e a imagem pensada. Também é uma porta de entrada para quem estuda a produção poética brasileira do fim do século XX e quer entender como um editor de poesia escreve quando assume a própria voz.
Perguntas rápidas
- Quem escreveu? Augusto Massi.
- Quando e por quem foi publicado? Em 1991, pela Companhia das Letras.
- Quantas páginas tem? 112 páginas.
- É o primeiro livro do autor? Sim, é a estreia em poesia.
Como comprar
A edição de 1991 segue em circulação no mercado de livros novos e usados. O título pode ser encontrado no catálogo da Amazon, com ofertas de sebos e livrarias parceiras, e aparece com frequência em listas de poesia brasileira das décadas de 1980 e 1990.




