Contexto e proposta de No Exílio
No Exílio é o segundo romance de Elisa Lispector e o mais diretamente ligado à história da própria família. Publicado em 1948, três anos depois de Além da Fronteira, acompanha Lizza, uma mulher judia que deixa um sanatório e, ao tentar organizar as lembranças recentes, rememora a fuga dos pais e das irmãs da Ucrânia. A perseguição aos judeus, a migração de vilarejo em vilarejo pela Europa e o desembarque em Maceió chegam ao leitor pela memória da personagem, em um relato que mistura ficção e experiência vivida.
O romance é, ao mesmo tempo, literatura e documento. Como a autora tinha dez anos quando a família chegou ao Brasil, as cenas da travessia vêm de suas próprias recordações — e é justamente essa parte da história que Clarice Lispector, nove anos mais nova, não podia contar. Por isso o livro se tornou fonte frequente de pesquisadores interessados na origem dos Lispector, mesmo sendo uma obra de ficção.
Esta edição, publicada pela José Olympio, tem 256 páginas, quarta edição e uma apresentação inédita de Benjamin Moser, biógrafo de Clarice Lispector. Para quem lê a literatura brasileira do século XX pelo fio da memória e do testemunho, No Exílio antecipa discussões sobre deslocamento, pertencimento e luto que a autora retomaria nos livros seguintes.



