Contexto e proposta de Nossas Vidas
Dirigido, escrito e editado por Dilma Lóes, Nossas Vidas (1985) é um documentário sobre a mulher brasileira: os estereótipos de gênero, o preconceito enfrentado no cotidiano e a luta por direitos em um país que começava a sair da ditadura. É o projeto em que a atriz se apresenta definitivamente como cineasta — ela assina direção, roteiro e edição, e a produção é da Lóes Produções Artísticas e Culturais.
O filme rodou três frentes de premiação e circulação que ajudam a situá-lo: foi premiado na Jornada Internacional de Cinema da Bahia, levou o prêmio de melhor vídeo no Festival de Vídeo de Fortaleza (1989) e foi exibido e reconhecido no Festival de Stuttgart, na Alemanha. Esse trânsito entre o circuito baiano, o nordestino e o europeu era incomum para um média-metragem brasileiro feito por uma diretora estreante em documentário — e mostra o quanto o trabalho circulou fora do eixo Rio-São Paulo.
O conteúdo parte de situações do cotidiano feminino para discutir o que a sociedade da época tratava como natural: os papéis fixados para homens e mulheres, o preconceito contra quem saía do script e a necessidade de garantias legais para as mulheres. O filme chegou no mesmo ano em que o país criava o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, dentro de um ciclo de mobilização que levaria as pautas femininas à Assembleia Constituinte — e se coloca na linhagem do cinema social brasileiro dos anos 1980, ao lado de produções que usavam o vídeo como ferramenta de debate público.
Para quem quer assistir, o canal oficial da diretora no YouTube mantém uma versão reduzida de Nossas Vidas, com pouco mais de 33 minutos. O material é útil para aulas de história, estudos de gênero, comunicação e documentário, e para pesquisadores que trabalham com a produção audiovisual feminina dos anos 1980. O limite é o próprio formato: a versão de circulação pública difere do corte original de exibição, e o filme não está disponível em plataformas comerciais.




