Buscar autoridades

Imagem de capa do perfil de Dilma Lóes
Foto de perfil de Dilma Lóes

Dilma Lóes

Nascimento: 1950 Rio de Janeiro, RJ
Ver projetos (4)
Atriz, roteirista e diretora carioca (1950–2020), conhecida por O Bem-Amado; depois assinou documentários premiados sobre racismo e direitos das mulheres.

Dilma Lóes (Rio de Janeiro, 22 de julho de 1950 — Flórida, 31 de julho de 2020) fez um percurso raro no cinema brasileiro: foi atriz de dezenas de comédias eróticas nos anos 1970, ficou nacionalmente conhecida como Anita Medrado na novela O Bem-Amado e, na virada da década, trocou o lugar diante da câmera pela direção — assinou documentários sobre racismo e direitos das mulheres, venceu festivais em Brasília, na Bahia e em Nova York e nunca deixou de escrever, produzir e desenhar figurinos. Quem procura o nome dela costuma chegar por três caminhos: a pornochanchada, a teledramaturgia e o documentário social.

Filha de artistas, Dilma cresceu em casa onde escrever e encenar era rotina e transformou essa prática em ofício: roteirista, produtora, continuísta, diretora de arte, cenógrafa, figurinista e montadora estão entre as funções que ela assinou ao longo de mais de três décadas de trabalho. Na maturidade profissional, viveu em Miami, onde tocou uma empresa de exportação e criou trailers de filmes para a HBO, antes de voltar ao Brasil e às telas. Morreu de câncer em 2020, aos 70 anos.

Da família de artistas ao cinema dos anos 1960

Dilma Lóes nasceu no Rio de Janeiro em uma família do meio artístico: o pai, Urbano Lóes, era ator e radialista; a mãe, Lídia Mattos, construiu carreira de atriz premiada no cinema e na televisão. Desde os tempos de colégio, a filha escrevia e dirigia as próprias peças — hábito que atravessaria a vida inteira.

A carreira profissional começou no fim dos anos 1960, em produções internacionais rodadas no Brasil, como a série francesa Les Globe-Trotters e River of Mystery, ao lado de Vic Morrow. No cinema brasileiro, estreou em 1969 com Parafernália, o Dia da Caça e, no ano seguinte, contracenou com Mazzaropi em Betão Ronca Ferro. O casamento com o diretor Victor di Mello, com quem teve a filha Vanessa Lóes, a colocou no circuito das comédias eróticas que dominavam as bilheterias — e ela não ficou apenas na frente da câmera: escreveu o roteiro de Quando as Mulheres Paqueram e de Essa Gostosa Brincadeira a Dois e assinou a produção executiva de Como é Boa Nossa Empregada (1973).

Como Dilma Lóes ficou conhecida na televisão

Na TV, a estreia veio ainda no fim dos anos 1960, em O Doce Mundo de Guida, na TV Tupi. Depois passou por Pigmalião 70 e Tempo de Viver, mas foi na Globo que o rosto dela entrou no repertório popular: em O Bem-Amado (1973), de Dias Gomes — a primeira novela brasileira produzida em cores —, Dilma viveu Anita Medrado, papel que a tornou um nome reconhecido no país.

Na mesma década, apareceu em Carga Pesada; nos anos 1980, fez participação em Elas por Elas e foi presença recorrente nas esquetes de Os Trapalhões. A televisão, no entanto, nunca foi o centro da carreira: o cinema — como atriz, roteirista e diretora — ocupa a maior parte dos créditos dela.

Gramado, Cabo Frio e o sucesso no teatro

O reconhecimento como atriz dramática veio com A Volta do Filho Pródigo (1978), dirigido por Ipojuca Pontes. Pelo filme, Dilma recebeu o Kikito de melhor atriz coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado de 1979, o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Cabo Frio e o Prêmio APCA de cinema. No teatro, assinou texto, produção e direção do musical infantil Se a Banana Prender, o Mamão Solta (1984), em que também atuou: um sucesso de bilheteria que usava o humor para criticar preconceitos e normas de comportamento.

A virada para a direção e os documentários premiados

Em 1978, o curta dirigido, produzido e escrito por ela, Só o Amor Não Basta, venceu o Festival de Cinema de Brasília na categoria melhor filme em 16 mm. Sassarico (1979) ampliou a lista de curtas e, na segunda metade da década, ela se firmou como documentarista. Nossas Vidas (1985) parte da mulher brasileira para discutir estereótipos de gênero, preconceito e luta por direitos, e rodou festivais no Brasil e na Alemanha, com prêmio de melhor vídeo no Festival de Vídeo de Fortaleza.

Já Quando o Crioulo Dança? (1988) nasceu do centenário da abolição, em plena redemocratização, período em que a diretora participava ativamente do SOS Cidadania e Racismo, no Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro. O filme alterna depoimentos de moradores e ativistas nas ruas do Rio com cenas encenadas e questiona o mito da democracia racial brasileira. Levou a Medalha de Bronze no Festival de Cinema e Vídeo de Nova York, em 1989, e prêmios na Jornada de Cinema da Bahia; em 1998, o Ministério da Educação comprou 3 mil cópias do vídeo e passou a usá-lo na formação de professores da rede pública — o que fez dele um marco duradouro na educação antirracista. Hoje o documentário integra acervos universitários no Brasil e no exterior.

Miami, a HBO e os últimos filmes

Em 1993, Dilma se mudou para Miami, onde viveu até 2005. No período, administrou uma empresa de exportação, escreveu contos semanais para um jornal brasileiro da Flórida e trabalhou para a HBO na criação de trailers de filmes programados para o Brasil. De volta ao país em 2005, atuou em O Amigo Dunor, contracenando com a filha, a atriz Vanessa Lóes, e fez seu último trabalho no cinema em Cafuné, no mesmo ano. Ela morreu na Flórida em 31 de julho de 2020, em decorrência de um câncer.

Prêmios e marcos da carreira

  • Kikito de melhor atriz coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado (1979), por A Volta do Filho Pródigo
  • Melhor atriz no Festival de Cinema de Cabo Frio (1979) e Prêmio APCA de cinema pelo mesmo trabalho
  • Melhor filme em 16 mm no Festival de Cinema de Brasília (1978), por Só o Amor Não Basta
  • Prêmios na Jornada Internacional de Cinema da Bahia e no Festival de Vídeo de Stuttgart por Nossas Vidas
  • Medalha de bronze no Festival de Cinema e Vídeo de Nova York (1989), por Quando o Crioulo Dança?

Projetos de Dilma Lóes

O Bem-Amado (telenovela)
O Bem-Amado (telenovela)
Telenovela da TV Globo exibida em 1973 e escrita por Dias Gomes, primeira novela brasileira produzida em cores; Dilma Lóes vive Anita Medrado.
0—
0—
A Volta do Filho Pródigo
A Volta do Filho Pródigo
Drama brasileiro de 1978 dirigido por Ipojuca Pontes. Deu a Dilma Lóes o Kikito de melhor atriz coadjuvante no Festival de Gramado de 1979.
0—
0—
Nossas Vidas
Nossas Vidas
Documentário de 1985 dirigido, escrito e editado por Dilma Lóes sobre a mulher brasileira e os estereótipos de gênero; premiado no Brasil e na Alemanha.
0—
0—
Quando o Crioulo Dança?
Quando o Crioulo Dança?
Documentário de 1988 dirigido por Dilma Lóes sobre o racismo no Brasil, feito no centenário da abolição; virou material de formação de professores.
0—
0—

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Dilma Lóes

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...