Contexto e proposta de O artista improdutivo
O artista improdutivo é uma coletânea de ensaios de Laura Erber publicada pela Âyiné. O volume reúne doze textos que investigam a relação entre arte e política, produzidos pela autora em diferentes momentos de sua trajetória como escritora, artista visual e pesquisadora. A edição tem 180 páginas e integra as coleções Bazar Âyiné e Pre-textos.
O ensaio que abre o livro é dedicado a Mário Pedrosa, crítico cuja trajetória intelectual a autora acompanha de perto. É dele a imagem que dá tom ao volume: despojando a grandiloquência de Victor Hugo, Pedrosa definiu o crítico como uma espécie de grilo chato que não para, num canto da grande sala social, de dar sinal de sua presença.
Os textos seguintes percorrem biografias, como a da galerista Ileana Sonnabend e a do artista Tunga, e análises de obras de Rosana Paulino e Anna Bella Geiger, entre outros nomes. Há também ensaios sobre monumentos e pixações no espaço urbano e sobre o uso de bandeiras em manifestações de rua e na arte contemporânea, temas que mostram como a autora lê a arte em relação com os acontecimentos públicos.
O texto que encerra a edição e dá título ao livro discute ócio, produtivismo e a mercantilização do imaterial. Nele, Laura Erber observa o lugar do trabalho na arte e no mercado artístico contemporâneo, em que, escreve a autora, é possível vender inclusive o tédio, a preguiça e o não fazer. É uma leitura que interessa a artistas, curadores, pesquisadores e leitores atentos ao modo como a criatividade passou a ser tratada como insumo.
Quem conhece Laura Erber pela ficção encontra aqui outra face da mesma escrita: o pensamento sobre arte feito por quem também produz arte. O livro dialoga com a experiência da autora nas artes visuais, com sua pesquisa acadêmica e com o trabalho editorial que ela desenvolve na Zazie Edições.





