O Cão de Guarda Donizetti Adalto reconstrói a vida do jornalista que virou sinônimo de denúncia na televisão piauiense e acabou assassinado em 1998, aos 39 anos, durante a campanha em que disputava uma vaga de deputado federal. A biografia, assinada por Idoval Graco e publicada em edição digital em 2014, acompanha a trajetória de Donizetti desde o Paraná natal até a consagração — e a polêmica — no Piauí.
Quem era o “cão de guarda” do título?
O título resume a personagem que o livro investiga: um jornalista que tratava a denúncia como obrigação diária e que se tornou, ao mesmo tempo, uma das figuras mais populares do Piauí e um alvo de inimigos poderosos. Donizetti apresentou o MN 40 Graus na TV Meio Norte entre 1995 e 1998, criou bordões que entraram para o vocabulário local e foi afastado do ar depois de um embate ao vivo com um deputado estadual.
A obra percorre ainda a passagem dele por emissoras do Paraná e do Maranhão, a dupla com o também jornalista Carlos Moraes e o jornal Comando, que fez oposição ao governo estadual no início dos anos 1990.
Um retrato sem maniqueísmo
A proposta central do livro é evitar o retrato pronto. O autor parte da ideia de que Donizetti não era nem herói nem vilão: seus métodos eram dúbios, sua atuação misturava jornalismo, espetáculo e interesses, e a morte violenta acabou mitificando a figura dele para parte da população. Em vez de esconder essa ambiguidade, a biografia se debruça sobre ela.
É também um livro sobre o Piauí do fim do século 20: a televisão regional, as disputas políticas, o crime que parou o estado e a comoção que transformou o jornalista em personagem da memória coletiva. O caso teve ex-policiais e um vereador indiciados, condenações de envolvidos e um júri popular realizado em 2022.
Por que a história segue atual
Donizetti Adalto morreu em plena campanha eleitoral, foi tema de comoção popular e teve o nome transformado em símbolo por eleitores que votaram nele como protesto. Décadas depois, o caso ainda rende debates sobre imprensa, poder e memória: o busto na Avenida Marechal Castelo Branco virou ponto de homenagens, as imagens do MN 40 Graus foram recuperadas por um programa de arquivo da própria emissora, e um documentário sobre o crime foi suspenso pela Justiça em 2023.
Ler a biografia hoje é também uma forma de acompanhar como a televisão regional construiu ídolos e inimigos, e como a morte violenta de um jornalista pode reconfigurar a leitura de uma carreira inteira.
Para quem é a leitura?
A biografia interessa a quem acompanha a história da imprensa brasileira, a estudantes de jornalismo, a pesquisadores da política do Nordeste e a leitores de histórias reais sobre crime, poder e memória. O livro também serve como porta de entrada para quem conheceu Donizetti apenas pelos bordões ou pelas imagens de arquivo que voltaram a circular nos últimos anos.
A edição digital está disponível na Amazon, em português, e pode ser lida em aplicativos Kindle e em outros leitores compatíveis.

