O Dia em Que o Rock Morreu não é uma biografia nem uma coletânea comum de críticas: é um livro montado como um álbum conceitual. Publicado em 2014 pela Arquipélago Editorial, o volume reúne textos que André Forastieri escreveu ao longo de 25 anos para os mais diversos veículos da imprensa brasileira. Em vez de apenas reunir o material, o autor selecionou, costurou e atualizou cada texto, construindo uma narrativa com começo, desenvolvimento e despedida.
Como o livro está organizado
A estrutura em álbum duplo é a chave da obra. O primeiro disco tem quatro partes: no lado A, o autor disseca ícones mortos do rock, de John Lennon a Amy Winehouse, passando por Jimi Hendrix, Lou Reed e Joe Strummer. No lado B, enterra o rock brasileiro — uma despedida da cena nacional feita por quem cobriu seus anos decisivos.
O segundo disco funciona como balanço de uma era: Forastieri se despede das revistas de música, das capas de discos, da MTV e da indústria fonográfica como modelo de negócio. O fechamento do livro é um reencontro com Kurt Cobain vinte anos após sua morte, reunindo o que o jornalista escreveu sobre o Nirvana e a entrevista que fez com o próprio Kurt.
De onde vem a autoridade para escrever esse balanço
Forastieri não observou a cena musical de fora. Como editor-chefe das revistas SET e Bizz, além do trabalho no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, ele viveu por dentro a engrenagem que depois descreveria em crise: a produção de capas, a agenda de entrevistas, a relação entre gravadoras e imprensa. O livro transforma essa vivência em leitura histórica — “com afeto, sem nostalgia”, como resume a própria apresentação do volume.
Para quem é este livro
O Dia em Que o Rock Morreu interessa a leitores de jornalismo cultural e crítica musical, fãs de rock que cresceram lendo revistas especializadas e qualquer pessoa que queira entender como a imprensa de música brasileira funcionou em seus anos de maior força. É também uma leitura útil para quem estuda a transição da cultura impressa para o ambiente digital, porque o autor acompanhou as duas fases.
A edição está disponível em formato físico na Amazon, onde o livro continua encontrável em sebo e em ofertas de terceiros. O título abre a produção autoral de Forastieri e serve como porta de entrada para entender o tipo de escrita que ele levaria depois para a newsletter e para o podcast ABFP.





