Contexto e proposta de O Filho do Holocausto
O Filho do Holocausto é o livro em que Jorge Mautner volta à própria origem para contar como se tornou o artista que é. Publicado pela Editora Agir em 2006, depois de quatro décadas de romances, poemas e canções, o volume retoma a chegada dos pais ao Brasil como refugiados, a infância carioca, a mudança para São Paulo e a convivência com uma família marcada pelo que a Europa viveu nos anos 1930 e 1940.
O título condensa a origem que o autor nunca deixou de revisitar e virou também o nome do documentário dirigido por Pedro Bial, que levou essa história ao cinema em 2013. No livro, o autor organiza memórias de formação — o violino aprendido em casa, a expulsão do colégio, os primeiros textos — e mostra como a experiência do deslocamento entrou definitivamente em sua literatura.
É uma leitura útil para três tipos de leitor: quem quer entender a geração que inventou a contracultura brasileira; quem acompanha a obra musical e deseja saber de onde vêm as imagens de exílio, messianismo e recomeço; e quem se interessa por memória e testemunho sem abrir mão de uma escrita literária. A narrativa evita o tom de balanço e mantém o ritmo de quem está pensando em voz alta, característica que atravessa toda a produção do autor.
O volume dialoga diretamente com os romances da trilogia Mitologia do Kaos e antecede o álbum Não Há Abismo em Que o Brasil Caiba, de 2019, em que Mautner retoma nomes e ideias do país para compor letras. Quem começa por aqui costuma seguir para Kaos Total, a reunião das letras musicais, ou para os livros de estreia, que mostram a mesma voz em outra fase.





