O que vi dos presidentes é um livro sobre a política brasileira feito por dentro do noticiário. Em vez de reconstituir os mandatos pelos arquivos oficiais, Cristiana Lôbo partiu daquilo que testemunhou entre 1985 e 2021 para retratar a personalidade e os hábitos de cada presidente — como cada um decidia, negociava, reagia à pressão e respeitava (ou não) as regras do jogo. O resultado atravessa o governo de José Sarney até chegarem ao de Jair Bolsonaro, passando por Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff.
O projeto de um livro de bastidores
A obra nasceu de uma decisão trabalhosa: reavivar a memória, revisitar os "bloquinhos de anotações" da repórter e conversar — muito — com as fontes que ela cultivou ao longo de décadas em Brasília. Não é um livro de história nem uma coleção de relatos soltos: é uma narrativa sobre o que aconteceu nos bastidores de decisões conhecidas, contada por quem circulava pela Esplanada dos Ministérios desde o fim da ditadura militar.
Cristiana Lôbo tratou o material como sempre tratou a coluna política e os comentários na GloboNews — com foco no que move as pessoas que ocupam o poder. O manuscrito estava em preparação quando ela morreu, em novembro de 2021. O trabalho foi concluído pela jornalista Diana Fernandes, que atuou ao lado dela na Coluna do Estadão, e a edição chegou às livrarias em agosto de 2023, em lançamento no Museu da República, em Brasília.
O que o leitor encontra
São 352 páginas organizadas em torno de acontecimentos e perfis. O foco recai sobre a política interna de cada governo: as crises, as negociações no Congresso e os episódios que a imprensa não conta por inteiro. Entre os momentos narrados estão passagens desde a redemocratização — quando a então repórter cobria a corrida pela eleição direta e a posse dos governos civis — até as grandes coberturas políticas do século XXI, como o julgamento do mensalão, as manifestações de 2013, o impeachment de Dilma Rousseff e a Lava Jato.
- Editora: Planeta;
- Publicação: agosto de 2023, edição póstuma;
- Finalização: jornalista Diana Fernandes, ex-assistente de Cristiana na Coluna do Estadão;
- Recorte: presidentes brasileiros desde a redemocratização;
- Formato: 352 páginas, edição em português.
Para quem é o livro
O público natural são leitores acostumados a acompanhar política, jornalismo e história recente do Brasil — o mesmo que assistia ao Fatos e Versões, na GloboNews, para entender o que havia por trás do noticiário do dia. Quem pesquisa as engrenagens do poder encontra aqui a versão de uma repórter que acompanhou o Congresso e o Palácio do Planalto de perto, de 1984 até o fim da vida, e que escreveu o livro pensando em leitores curiosos sobre o comportamento dos presidentes, não apenas sobre suas decisões.
Também é um título útil para estudantes de jornalismo e para quem quer entender a cobertura política brasileira em perspectiva. A obra mostra como uma repórter de coluna trabalhava: anotando bastidor por bastidor, conversando com todos os lados e esperando o tempo certo para publicar.
Formatos e contexto de leitura
Publicado como capa comum, o título também circula em e-book e audiolivro, o que permite escolher o formato conforme a rotina de leitura. Como toda obra póstuma, tem os limites de um texto finalizado por outra jornalista: a voz é de Cristiana Lôbo, mas o ajuste final do original passou por outras mãos — e a própria edição deixa isso claro ao leitor.
Para quem quiser continuar a leitura, a trajetória completa da autora está no perfil dela neste diretório, e os títulos relatados aqui podem ser encontrados na página do livro na Amazon.

