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Cristiana Lôbo

Loba

Nascimento: 1957 Goiânia, Goiás
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Jornalista política goiana (1957–2021) que cobriu nove governos pelo O Globo, pelo Estadão e pela GloboNews, onde ancorou o Fatos e Versões a partir de 2006.

Cristiana Lôbo passou quase quatro décadas indo atrás da mesma pergunta dentro das redações: o que está por trás da decisão que acaba de ser anunciada em Brasília? De 1982 até 2021, a jornalista acompanhou de perto a política brasileira em jornais, sites, blogs e na televisão por assinatura, de João Figueiredo a Jair Bolsonaro. Morreu em 11 de novembro de 2021, em São Paulo, aos 64 anos, antes de ver publicado o livro que resume boa parte dessa obsessão profissional: O que vi dos presidentes — fatos e versões, lançado pela Editora Planeta em 2023.

De Goiânia para a cobertura do Palácio do Planalto

Cristiana dos Santos Mendes Lôbo nasceu em Goiânia, em 18 de agosto de 1957, e se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás — curso que escolheu pensando em ter, um dia, um programa de música no rádio. A política apareceu antes. Em 1978, ela foi contratada como estagiária na editoria de política da Folha de Goiás e, no ano seguinte, já estava na sucursal de O Globo, em Brasília.

Na capital federal, foi repórter setorista de vários ministérios. Passou pela Saúde, onde viu nascer a carteira de vacinação infantil, e pela Educação, antes de chegar ao Palácio do Planalto e, em 1984, ao Congresso Nacional. "Foi ali que aprendi que você tem de trabalhar de manhã até a noite", contou ela em depoimento ao Memória Globo. "E nunca larguei disso."

A cobertura do movimento pelas eleições diretas, em 1984, ficou entre as lembranças mais intensas daquele período — quando a repórter ditava 15 linhas pelo telefone e tinha de fazer, em texto, "o retrato daquele momento". O ritmo não caiu depois: no dia em que o Plano Cruzado foi editado, ela tinha acabado de voltar da licença-maternidade e só chegou em casa às 23h.

A coluna política, o Estadão e o jornalismo em tempo real

Foram treze anos na sucursal de O Globo em Brasília. De 1986, quando se tornou assistente de Tereza Cruvinel na coluna Panorama Político, até a passagem pela Coluna do Swann, Cristiana Lôbo se especializou em notas curtas e apuradas — uma escola que mais tarde renderia bem no ritmo da televisão. Em 1992, assumiu a coluna política de O Estado de S. Paulo, na qual ficou seis anos como titular da Coluna do Estadão.

Foi também uma das jornalistas que fizeram a cobertura política em tempo real na internet, no Portal iG, antes de lançar, em 2012, o blog Os Bastidores da Política, no G1 — endereço que manteve atualizado entre os assuntos do Congresso, do Planalto e do Judiciário. No X, antigo Twitter, a conta dela passou de 1,5 milhão de seguidores.

  • 1978 — primeira chance em uma editoria de política, como estagiária da Folha de Goiás;
  • 1979 — repórter na sucursal de O Globo, em Brasília;
  • 1986 — assistente na coluna Panorama Político, de O Globo;
  • 1992 — assume a coluna política de O Estado de S. Paulo;
  • 1997 — estreia como comentarista do Jornal das Dez, na GloboNews;
  • 2006 — passa a apresentar o Fatos e Versões;
  • 2012 — lança o blog Os Bastidores da Política, no G1.

GloboNews: Jornal das Dez, Fatos e Versões e Estúdio I

A estreia na televisão aconteceu em 1997, como comentarista do Jornal das Dez na GloboNews — o canal de notícias que estava sendo montado dentro da estrutura da Globo. A lógica de trabalho era a mesma das colunas: conversar com fontes durante o dia e transformar o que apurou em comentário curto e contextualizado.

Em 2003, entrou no Fatos e Versões, programa apresentado por Franklin Martins, onde assinava o quadro "Papo no Cafezinho", dedicado aos bastidores do poder. Com a saída de Franklin, em 2006, assumiu a apresentação e ficou à frente do programa até março de 2020, quando a pandemia de covid-19 mudou a grade da GloboNews. No intervalo, de 2008 a 2014, dividiu com Maria Beltrão o Estúdio I, e, na corrida presidencial de 2018, integrou o time do Central das Eleições ao lado de jornalistas como Merval Pereira.

Foi para a GloboNews que ela narrou, durante mais de vinte anos, coberturas como o julgamento do mensalão, as manifestações de 2013, o impeachment de Dilma Rousseff e os desdobramentos da Lava Jato. A apresentação do Fatos e Versões rendeu ao programa o Prêmio Engenho de Comunicação de melhor atração de TV, e a trajetória dela foi reconhecida com o Troféu Mulher Imprensa, na categoria de comentarista política.

Meninas do Jô e a arte de explicar os bastidores

Entre 2005 e 2014, Cristiana Lôbo também fez parte do quadro Meninas do Jô, no Programa do Jô, dividindo as discussões políticas com as jornalistas Lillian Witte Fibe, Ana Maria Tahan e Cristina Serra. Na bancada, defendia um jeito próprio de comentar: contar o que se passa por trás de cada notícia sem precisar opinar. "Quando você fala dos bastidores é exatamente contar sem precisar opinar", resumiu, em entrevista ao Memória Globo.

O livro que fechou a obra: O que vi dos presidentes

Antes de morrer, Cristiana Lôbo organizava um projeto que mistura memória e reportagem: contar os governos brasileiros desde a redemocratização pelo que ela própria viu, ouvindo, nas palavras dela, "os bloquinhos de anotações" e as muitas fontes que cultivou em décadas de Brasília. O livro, finalizado pela jornalista Diana Fernandes, saiu pela Editora Planeta em agosto de 2023 e foi lançado no Museu da República, em Brasília. Em vez de uma história oficial dos mandatos, o volume reúne perfis sobre o comportamento e a personalidade dos presidentes — a matéria-prima que, por anos, alimentou tanto a coluna do Estadão quanto as análises da GloboNews.

Como Cristiana Lôbo morreu e o que fica

Cristiana Lôbo morreu em 11 de novembro de 2021, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Tratava um mieloma múltiplo havia alguns anos, quadro agravado por uma pneumonia. Deixou o marido, Murilo, os filhos Bárbara e Gustavo e os netos. Colegas de redação a chamavam de "Loba", e a notícia de sua morte mobilizou homenagens de jornalistas e autoridades em todo o país.

Fica uma obra jornalística difícil de encaixar em rótulos: mais de quatro décadas de cobertura política no impresso, na internet e na TV, uma conta de rede social com mais de 1,5 milhão de seguidores e a rotina de explicar Brasília para quem nunca tinha entrado nos corredores do Congresso. "Só vivendo muito para ver tudo o que já vi", disse ela, em uma das entrevistas finais. Para quem acompanha a cobertura política do diretório, a trajetória dela pode ser lida em conjunto com a de outros nomes da área na política.

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