Um touro grande e forte que prefere cheirar flores a entrar na arena. Parece pouco para sustentar um longa-metragem, mas foi exatamente essa contradição que Carlos Saldanha levou às telas em O Touro Ferdinando (2017), adaptação do livro infantil escrito por Munro Leaf e ilustrado por Robert Lawson em 1936.
Na história, Ferdinando é criado em uma fazenda onde os filhotes treinam para se tornar touros de tourada. O protagonista não se encaixa: gosta de quietude e de flores. Ao ser escolhido por engano para a arena de Madri, ele precisa lidar com a expectativa de violência que o mundo projetou sobre ele — e encontra no caminho uma menina, uma cabra e um grupo de ouriços esquisitos. A voz original do touro é do lutador e ator John Cena. O elenco inclui ainda Kate McKinnon, David Tennant e Gina Rodriguez.
A indicação ao Oscar
O filme rendeu a Saldanha sua primeira indicação ao Oscar de melhor longa de animação, na edição de 2018. Foi uma mudança de registro na carreira do diretor, acostumado a franquias de continuação: em vez de construir um universo do zero, ele adaptou uma obra literária antiga e acrescentou camadas de comédia e ação. A produção foi assinada pela Blue Sky Studios, que havia chegado a Ferdinand depois de mais de uma década de parceria com o diretor.
Por que o filme vale a sessão
O Touro Ferdinando conversa com crianças pela aventura e pelos personagens cômicos, mas carrega uma mensagem que interessa a qualquer idade: a de que gentileza não é fraqueza, e que ninguém é obrigado a cumprir o papel que os outros escreveram. É também um dos filmes do diretor mais lembrados para conversas em família sobre expectativa, escolha própria e respeito aos animais. A animação está disponível em Blu-ray e DVD no Brasil, além de aparecer em catálogos de streaming em diferentes períodos.




