O Tronco acompanha o coletor de impostos Vicente Lemes, enviado ao norte de Goiás para controlar os coronéis da família Melo, seus próprios parentes. Idealista, ele tenta impor as leis do governo e acaba acirrando um conflito que não consegue dominar. Publicado em 1956, o romance transforma as disputas entre os coronéis do sul e do norte do estado em matéria de ficção e é considerado um dos retratos mais fortes do mandonismo local na literatura brasileira.
Qual é a história de O Tronco?
No início do século XX, os grandes proprietários de terra que comandavam Goiás se dividiam entre grupos rivais. Vicente Lemes trabalha para um governo de coronéis e sonha com uma sociedade de justiça e respeito às leis. Quando é mandado para a região dominada pelos Melo, tenta impor seus ideais, mas o que encontra é uma luta sangrenta: a coletoria é incendiada, a tropa do governo chega defendendo interesses próprios e o personagem perde aos poucos o papel de condutor da própria história, tornando-se coadjuvante em meio à barbárie.
Por que O Tronco é um marco do regionalismo?
Bernardo Élis conhecia de perto o mundo que descreve. Nascido em Corumbá de Goiás, conviveu com a política local, com a linguagem do sertão e com as tensões entre famílias poderosas. O romance combina fala coloquial goiana, imagens de forte impacto e uma visão nada romântica do campo. Em vez de exaltar a paisagem, o livro mostra a violência, a ignorância e a opressão que sustentavam o poder dos coronéis. Essa combinação rendeu ao autor o prêmio de romance da Câmara Brasileira do Livro e consolidou seu nome entre os principais ficcionistas regionalistas do país, ao lado de autores como José Lins do Rego e Mário Palmério.
O Tronco virou filme?
Sim. O romance foi adaptado para o cinema em 1999 pelo diretor João Batista de Andrade, com roteiro do próprio diretor. O filme tem Ângelo Antônio no papel de Vicente Lemos, Letícia Sabatella como Anastácia, Chico Diaz como Catulino, Rolando Boldrin como o coronel Pedro Melo e Antônio Fagundes como o juiz Carvalho. As gravações aconteceram em Pirenópolis, no interior de Goiás, e a produção circulou por festivais no Brasil e no exterior. Rolando Boldrin recebeu prêmios de ator coadjuvante no Festival de Brasília e no Festival de Cinema de Natal.
Para quem é O Tronco?
O livro interessa a leitores de ficção brasileira, a estudantes que precisam entender o regionalismo e a quem pesquisa a formação política de Goiás. A leitura funciona como porta de entrada para a obra de Bernardo Élis: estão ali o cenário, os tipos humanos e os conflitos que o autor exploraria em contos e romances posteriores. A edição em catálogo é a nona, publicada pela José Olympio, com 300 páginas.
Além do valor literário, o romance costuma aparecer em aulas de história e de literatura como retrato das relações entre poder público, famílias proprietárias e violência no interior do Brasil. É uma leitura que continua rendendo debates sobre formação do Estado, justiça e desigualdade no campo.
O romance está disponível em edições usadas e de colecionador, e o exemplar na Amazon é uma das rotas de compra para quem procura a edição da José Olympio.




