Palavrório é o livro em que Carlos Castelo leva a paródia para a poesia. Publicado pela Editora Urutau em 2022, o volume tem 88 páginas e reescreve, com humor, um acervo que vai de Gonçalves Dias a Augusto de Campos, passando por Poe, Gregório de Matos, James Joyce e Drummond.
O que o livro faz com a tradição
A operação é menos deboche gratuito e mais deslocamento: os poemas canônicos são colocados para jogar futebol, frases célebres caem numa blitz policial, autores dialogam com o poeta como se estivessem numa mesa de bar. O efeito é uma leitura que tira os clássicos do pedestal sem destruí-los — pelo contrário, devolve-os vivos, em atrito com o presente.
Quem apresenta o volume é Leonardo Gandolfi, que descreve o trabalho como uma máquina de ler e deslocar com o riso. O maior alvo, segundo ele, é o próprio autor: o poeta ri de si mesmo e da figura do poeta, o que dá ao livro um tom autoirônico difícil de encontrar na poesia brasileira contemporânea.
Por que ler em voz alta
Palavrório foi construído para soar bem. As paródias preservam ritmo e rima de seus modelos, de modo que a leitura em voz alta revela a piada escondida na métrica. É um livro de poesia que não exige erudição, mas recompensa quem reconhece as referências.
Relação com a obra do autor
Carlos Castelo é um dos integrantes históricos do Língua de Trapo, grupo que fez do pastiche de gêneros musicais sua marca, e cronista do Estadão. Palavrório transporta para a página a mesma estratégia: usar a forma consagrada para dizer o que ela normalmente não diria.
Ficha do livro
- Editora: Urutau;
- Ano: 2022, 1ª edição;
- Gênero: poesia e humor;
- Páginas: 88, formato 14,5 x 19,5 cm;
- Apresentação: Leonardo Gandolfi.
A edição impressa está à venda no site da editora, que informa disponibilidade e valor atualizado.





