Carlos Castelo é um dos criadores do Língua de Trapo, grupo de humor musical que ajudou a projetar a Vanguarda Paulista nos anos 1980, e o cronista responsável pela coluna "Crônica por Quilo", publicada no Estadão desde 2014. Nascido em Teresina, no Piauí, em 1958, e radicado em São Paulo desde 1961, ele construiu uma trajetória que atravessa a música, a publicidade, o jornalismo e a literatura — do aforismo ao conto de horror.
Quem procura seu nome costuma chegar por caminhos diferentes: uma letra de "Concheta", uma crônica lida no jornal, um livro de frases curtas ou uma das histórias sombrias lançadas em 2025. Todas essas frentes pertencem à mesma pessoa, e é a soma delas que explica por que o trabalho de Carlos Castelo circula há mais de quatro décadas entre palcos, redações e livrarias.
Quem é Carlos Castelo
Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, ele começou a ficar conhecido no início dos anos 1980 como integrante e letrista de um grupo que misturava rock, samba e piada em críticas à caretice e ao discurso oficial. Na mesma década, passou a assinar crônicas na imprensa e a trabalhar com publicidade, atividade que exerceu em agências da capital paulista a partir de 1988, com trabalhos premiados no Festival de Cannes.
O reconhecimento se dividiu entre públicos distintos: o do circuito universitário que acompanhava os shows da Vanguarda Paulista, o dos leitores de jornal que seguem sua coluna e o dos leitores de livros, que encontram nele um humorista de frase curta, situado pelo crítico Manuel da Costa Pinto na linhagem de Millôr Fernandes e Luis Fernando Verissimo.
Do Língua de Trapo à Vanguarda Paulista
O Língua de Trapo nasceu em 1979, dentro da Faculdade Cásper Líbero, a partir de um conjunto que se apresentava como "Laert e seus Cúmplices". Carlos Castelo entrou pouco depois, assinando as composições como Carlos Melo, e participou da formação que batizou a banda e lançou, em 1980, a fita demo Sutil como um Cassetete, vendida nos corredores da faculdade e nos shows do circuito universitário.
Com o primeiro LP, gravado pelo Selo Lira Paulistana, o grupo ganhou espaço ao lado de outros artistas independentes que se apresentavam no Teatro Lira Paulistana, em Pinheiros. Dessa cena nasceu o movimento conhecido como Vanguarda Paulista, do qual o Língua de Trapo se tornou um dos nomes de destaque.
Entre as letras que assinou estão "Concheta", "Xingu Disco", "Como é Bom Ser Punk", "Tragédia Afrodisíaca" e "Os Metaleiros Também Amam", finalista do Festival dos Festivais, da Rede Globo, em 1985. A banda encerrou as atividades em 1987, voltou em 1991 e lançou discos como Brincando com Fogo (1992), Língua ao Vivo (1996), Vinte e Um Anos na Estrada (2000) e O Último CD da Terra (2016), este indicado em três categorias ao 17º Grammy Latino.
Publicidade, jornalismo e a coluna Crônica por Quilo
Em 2014, quando atuava como redator na FCB Brasil, Carlos Castelo estreou o blog "Crônica por Quilo" no Estadão, que se transformou em sua coluna fixa no jornal. É ali que publica textos sobre o cotidiano, com a linguagem desinflada e a piada de rua que também aparecem nos livros.
Além do Estadão, ele mantém crônicas no Jornal Rascunho e colunas no Brasil de Fato RS. As primeiras crônicas de sua carreira, no entanto, são mais antigas: apareceram no início dos anos 1980, na coluna "Antena" do Caderno 2, e desde então ele colaborou com publicações como Playboy, Jornal da Tarde, O Pasquim, O Planeta Diário, Caros Amigos e Cult.
Livros de crônicas, aforismos e poesia
A bibliografia de Carlos Castelo reúne mais de quinze títulos, publicados por editoras como Ática, Matrix, Ateliê Editorial, Global, Penalux, Urutau e Laranja Original. O humor está em quase todos, mas cada livro encontra uma forma diferente de chegar até ele: a crônica, o aforismo, o miniconto, a poesia de paródia.
- Orações Insubordinadas (Ateliê Editorial, 2009) — reunião de aforismos satíricos descrita como uma reserva especial dos milhares de aforismos escritos pelo autor;
- Clássicos de Mim Mesmo (Matrix Editora, 2015) — coletânea de crônicas com prefácio de Luis Fernando Verissimo;
- Cacos (Penalux, 2021) — minicontos com texto de apresentação de Gregório Duvivier;
- Palavrório (Urutau, 2022) — poesia que parodia a tradição literária brasileira, de Gonçalves Dias a Drummond;
- Senryu & me (Laranja Original) — poemas breves inspirados no senryu japonês, primo-irmão do haicai.
Completam a lista títulos como Aqui Jaz — O Livro dos Epitáfios, Vizinho — O Pentelho Mora ao Lado, O Caseiro do Presidente (com prefácio de Luis Fernando Verissimo), Guia de Sobrevivência no Brasil, Faça Sexo Agora — Pergunte-me Como, Damas Turcas, Caranguejo Bom de Bola, Poesihahaha, Frases Desfeitas, Dicionaro, Tom & Laura e Risos no Hospício.
A estreia no horror com Dentro de Mim Mora a Sombra
Em 2025, ele publicou Dentro de Mim Mora a Sombra, seu primeiro livro de contos de horror, pela Editora Urutau. O volume reúne 30 histórias que transitam entre o folclore brasileiro e a vida urbana, com prefácios assinados por Bráulio Tavares e Gustavo Ávila.
A mudança de registro tem antecedente declarado: assim como Edgar Allan Poe e Ambrose Bierce, autores que admira e que alternaram entre o riso e o terror, Castelo passou a explorar o lado sombrio do cotidiano sem abandonar a concisão que marca seus aforismos. Em vez do susto fácil, contos como "Eles Sabem", "A Sexta Garota", "O Churrasco" e "Capelobo" apostam no arrepio que se instala aos poucos.
Onde acompanhar Carlos Castelo
O trabalho dele está disponível em canais públicos e gratuitos, além das livrarias:
- Crônica por Quilo — coluna no Estadão;
- Jornal Rascunho — crônicas publicadas com regularidade;
- Brasil de Fato — colunas e artigos;
- Niusléter do Casteladas — frases, aforismos e elucubrações semanais;
- Partículas de Medo — miniestórias insólitas ligadas à sua ficção de horror;
- Spotify — faixas em que aparece como compositor e intérprete.
Os livros podem ser encontrados no site da Editora Urutau, em livrarias e em edições digitais na Amazon.






