Contexto e proposta de Passando a Limpo: A Trajetória de Um Farsante
No início da década de 1990, o Brasil acompanhou ao vivo a crise que culminou no impeachment de Fernando Collor. Foi nesse contexto, com as denúncias ainda reverberando, que chegou às livrarias, pela Editora Record, o livro Passando a limpo: a trajetória de um farsante, escrito por Pedro Collor de Mello com a jornalista Dora Kramer, que à época cobria política em Brasília.
A obra parte da versão que Pedro Collor, irmão do presidente, apresentou à imprensa e aos parlamentares durante a CPI que investigou as acusações de corrupção. No livro, ele narra os episódios da campanha e do governo e as acusações que fez contra o irmão, tanto na esfera pública quanto na privada. A coautoria de Dora Kramer deu ao relato a estrutura de um livro-reportagem, gênero que ela conhecia bem da rotina nas redações.
Publicado depois da votação que afastou Collor da Presidência, o título vendeu em ritmo de best-seller e virou referência imediata para quem queria entender como uma denúncia familiar derrubou o primeiro presidente eleito por voto direto após a redemocratização. Para leitores de história política, é uma fonte de época: mostra o tom, os personagens e as versões que circulavam naquele momento.
A edição em capa comum, da Record, circula hoje principalmente em sebos e lojas de usados. Quem estuda o período Collor costuma cruzar a leitura do livro com as coberturas jornalísticas da CPI, e o volume segue citado em trabalhos sobre a crise de 1992.



