Peito Aberto é o segundo livro de poesia de Lucila Nogueira, publicado em 1983 pela Livraria José Olympio Editora. Ele vem logo depois da estreia premiada de Almenara e antes de Quasar, o livro com que a autora voltaria a vencer o Prêmio Manuel Bandeira em 1986.
O segundo passo de uma estreia premiada
Entre 1979 e 1983, Lucila Nogueira deixou de ser apenas uma estreante. Nesse intervalo, consolidou a rotina profissional em Pernambuco — era promotora de justiça — e deu início ao caminho acadêmico que a levaria ao mestrado em Letras na Universidade Federal de Pernambuco, concluído em 1988. Peito Aberto pertence a esse período de transição.
A Livraria José Olympio Editora foi fundada em 1931 e foi a maior editora do país nas décadas de 1940 e 1950; desde 2001, o catálogo pertence ao Grupo Editorial Record.
O lugar do livro na obra
A fase que começa em Almenara e passa por Peito Aberto antecede a virada ibérica da autora. Foi só nos anos 1990 que ela organizaria a tetralogia formada por Ainadamar, Ilaiana, Imilce e Amaya, dedicada ao diálogo entre o Brasil, Portugal e a Galiza. Antes disso, seus livros acompanham a formação de uma poeta que ainda não tinha nos mitos ibéricos o eixo principal.
Ler Peito Aberto hoje serve para acompanhar essa passagem: é o volume em que a autora já escreve com a segurança de quem estreou premiada, mas ainda está construindo a voz que a tornaria conhecida nos festivais internacionais das décadas seguintes.
O conjunto inicial da obra é formado por Almenara (1979), Peito Aberto (1983) e Quasar (1987), antes da guinada ibérica dos anos 1990. Os poemas e contos de Lucila Nogueira seriam publicados, nas décadas seguintes, em revistas e antologias na França, na Espanha, no México, nos Estados Unidos e em Portugal, com traduções para o espanhol, o francês e o inglês.
Para quem este livro faz sentido
Faz sentido para leitores que começaram por Almenara e querem seguir a sequência cronológica. Faz sentido para quem estuda a poesia brasileira dos anos 1980, década pouco contemplada em antologias escolares. E faz sentido para quem coleciona edições de poetas pernambucanos ou livros da José Olympio.
Como a tiragem é antiga, o livro costuma aparecer em sebos e em listagens de usados. Vale comparar o estado de conservação e o preço na página indicada antes de concluir a compra.



