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Lucila Nogueira

Nascimento: 1950 Rio de Janeiro, RJ
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Poetisa, ensaísta e professora da UFPE, publicou 25 livros de poesia, venceu duas vezes o Prêmio Manuel Bandeira e ocupou a cadeira 33 da Academia Pernambucana de Letras.

Lucila Nogueira ganhou duas vezes o Prêmio de Poesia Manuel Bandeira do Governo de Pernambuco: a primeira com Almenara, o livro de estreia que a apresentou no fim da década de 1970; a segunda em 1986, com Quasar, lançado no centenário do poeta que dá nome à honraria. A obra que começou ali chegaria a 25 livros de poesia, além de ensaios sobre Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, contos e traduções.

Nascida no Rio de Janeiro e radicada no Recife, Lucila Nogueira (1950–2016) foi poeta, ensaísta, contista, tradutora, professora de literatura da Universidade Federal de Pernambuco e promotora de justiça. A partir dos anos 2000, passou a ser presença frequente em festivais internacionais de poesia, na Colômbia, em Cuba, no México, na Nicarágua, no Peru e nos Estados Unidos. Morreu em 25 de dezembro de 2016, no Recife, aos 66 anos, quando ocupava a cadeira 33 da Academia Pernambucana de Letras.

Quem foi Lucila Nogueira

O nome completo era Lucila Nogueira Rodrigues. Ela nasceu em 30 de março de 1950, no Rio de Janeiro, em família de ascendência luso-galega — as origens de Régua, em Portugal, e de Padrón, na Galiza, reaparecem em vários de seus livros. Formou-se em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco em 1972 e seguiu no serviço público como promotora de justiça em Pernambuco, carreira que manteve em paralelo à escrita.

Na mesma universidade, fez mestrado em Letras em 1988 e doutorado em 2002, sob orientação de Luzilá Gonçalves Ferreira. Como professora, lecionou literatura brasileira, portuguesa, africana e pernambucana, criação literária e teoria literária na graduação; na pós-graduação, trabalhou com teoria da poesia, teoria da ficção, literatura comparada e literaturas de expressão portuguesa. Coordenou por três anos o Seminário de Estudos Literários Contemporâneos da instituição e chefiou o Departamento de Letras entre 1998 e 1999.

Antes disso, entre 1989 e 1992, prestou consultoria editorial à Prefeitura do Recife, período em que acompanhou a publicação de quarenta livros e editou autores jovens e inéditos, muitos deles saídos de sua própria oficina literária de poesia e conto.

Almenara, Quasar e a afirmação como poeta

Almenara, lançado em 1979, venceu o Prêmio de Poesia Manuel Bandeira do Governo de Pernambuco no ano anterior. Peito Aberto, de 1983, saiu pela Livraria José Olympio Editora. Em 1986, Quasar repetiu a premiação, no ano do centenário de Manuel Bandeira, e os dois livros premiados abriram uma sequência que atravessaria quatro décadas.

A partir dos anos 1990, a poesia dela ganhou um eixo próprio: as raízes ibéricas. Ainadamar (1996), Ilaiana (1997), Imilce (1999) e Amaya (2001) formam a chamada tetralogia ibérica, reunida depois em volume único, em que o diálogo entre Galiza, Portugal e Brasil é o fio condutor. Ilaiana foi lançado no Centro de Estudos Brasileiros de Barcelona; Zinganares (1998) saiu em Lisboa, com lançamento na Embaixada do Brasil, e motivou a dissertação “A moderna lírica mitológica de Lucila Nogueira”, defendida na PUC do Rio Grande do Sul.

Saint-Nazaire e os livros nascidos em viagem

Em dezembro de 1999, Lucila foi escritora residente na Casa do Escritor Estrangeiro de Saint-Nazaire, na França. Dessa temporada saiu A Quarta Forma do Delírio (2002), traduzido na França por Claire Cayron, tradutora de Miguel Torga e de Sophia de Mello Breyner. Imilce também ganhou versão francesa, assinada por Claire Benedetti em 2014.

Os festivais internacionais viraram livros. Poesia em Medellín (2006) nasceu da edição que fez dela a primeira brasileira a participar do Festival Internacional de Poesia daquela cidade colombiana. Poesia em Caracas (2007) e Poesia em Cuba (2007) fecham a trilogia de poesia de viagem, e Tabasco (2009) foi escrito durante uma temporada no México, onde ela também ofereceu oficina de poesia e conto a crianças e adolescentes de comunidades indígenas em Oaxaca. Poesia em Houston (2013) saiu depois da participação no festival daquela cidade, no mesmo ano em que foi curadora da primeira mostra de literatura de cordel na Universidade de Macau.

Drummond, Fernando Pessoa e João Cabral: a ensaísta

Como estudiosa, Lucila Nogueira publicou Ideologia e Forma Literária em Carlos Drummond de Andrade, em terceira edição no ano de 2002, e A Lenda de Fernando Pessoa (2003, com segunda edição em 2015). Em 2013, lançou Pseudonímia e Literatura, em edição bilíngue.

Em dois volumes, O Cordão Encarnado reúne a tese de doutorado defendida na UFPE em 2002 e publicada em 2010, dedicada a O Cão sem Plumas e Morte e Vida Severina, dois poemas de João Cabral de Melo Neto. A escolha não era casual: a autora era professora de literatura portuguesa e brasileira e já havia organizado antologias de poesia hispano-americana, como Mundo Mágico: Colômbia (2007), com Floriano Martins.

FLIPORTO, academias e o Gabinete Português de Leitura

Fora da universidade, Lucila atuou na gestão cultural. Foi curadora literária da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (FLIPORTO) em 2007 e 2008, edições dedicadas à literatura hispano-americana e à africana contemporânea. No Gabinete Português de Leitura do Recife, foi diretora cultural e de intercâmbio internacional e editou por cinco anos a Revista de Lusofonia Encontro, com lançamentos em universidades de Évora, Porto e Madri.

Na Academia Pernambucana de Letras, ocupava a cadeira 33 desde março de 1992. Era também sócia-correspondente da Academia Brasileira de Filologia, sediada no Rio de Janeiro, e integrou a diretoria da União Brasileira de Escritores. Entre as honrarias, recebeu a Medalha Euclides da Cunha no centenário da Academia Brasileira de Letras, em 2009, e a comenda e medalha Luiz de Camões do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, em 2014. Na mesma academia pernambucana, a cadeira 18 era de Ariano Suassuna, eleito em 1993.

Por onde começar a ler Lucila Nogueira

  • Almenara (1979) — o livro de estreia, premiado pelo Governo de Pernambuco, ponto de partida de toda a obra.
  • Peito Aberto (1983) — o segundo livro, na fase anterior à tetralogia ibérica.
  • Ainadamar (1996) — abre a tetralogia que segue com Ilaiana, Imilce e Amaya.
  • O Cordão Encarnado (2010) — o estudo em dois volumes sobre João Cabral, para quem quer conhecer a ensaísta.
  • Melhores Poemas Mário de Sá-Carneiro (2010) — seleção e prefácio assinados por ela para a coleção da Global Editora.
  • a seleção de literatura neste site, para cruzar Lucila Nogueira com outros poetas e prosadores brasileiros.

Quem chega hoje ao nome pelo prêmio de 1978 encontra uma obra inteira para percorrer: da estreia premiada à poesia de viagem, dos estudos sobre Pessoa e Drummond à tetralogia ibérica, sem esquecer os contos e as traduções que ela publicou em revistas e antologias de vários países.

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Almenara
Almenara
Livro de estreia de Lucila Nogueira, venceu o Prêmio de Poesia Manuel Bandeira do Governo de Pernambuco em 1978 e abriu uma obra de 25 livros de poesia.
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Peito Aberto
Peito Aberto
Segundo livro de poesia de Lucila Nogueira, publicado em 1983 pela Livraria José Olympio, entre a estreia premiada de Almenara e o Quasar.
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