Quebrando o Tabu é o documentário de 2011 que colocou Fernando Grostein Andrade no centro do debate brasileiro sobre política de drogas. Lançado em junho daquele ano, o filme parte de uma constatação incômoda: quatro décadas depois de os Estados Unidos liderarem a declaração de guerra às drogas, os danos — violência, epidemias, encarceramento em massa e fortalecimento do crime organizado — só aumentaram.
Com pouco mais de 80 minutos e direção dividida com Cosmo Feilding-Mellen, o documentário reúne 168 entrevistas feitas ao longo de dois anos de produção. Fernando Henrique Cardoso aparece como âncora, defendendo a descriminalização; pelo filme passam ainda Bill Clinton, Jimmy Carter, Ernesto Zedillo, César Gaviria, Ruth Dreifuss, Paulo Coelho, Drauzio Varella e Gael García Bernal, além de policiais, prisioneiros e pessoas em recuperação. As gravações percorreram 18 cidades, de plantações de papoula na Colômbia a coffee shops de Amsterdã.
Repercussão no Brasil e no exterior
A recepção extrapolou o circuito de cinema. A revista Veja publicou reportagem de nove páginas sobre o filme; o Fantástico, da TV Globo, exibiu matéria de oito minutos e enquete em que 57% dos votantes se declararam favoráveis à legalização; a revista Trip dedicou uma capa ao lançamento; e o Senado registrou pronunciamento sobre o tema. Em 2012, o documentário venceu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria melhor documentário por voto popular.
No exterior, o material foi adaptado como Breaking the Taboo, narrado por Morgan Freeman e produzido pela Sundog Pictures, dos irmãos Richard e Sam Branson. A versão internacional levou os depoimentos de ex-presidentes e especialistas a plateias de vários países e ajudou a inserir o debate brasileiro na discussão global sobre redução de danos.
Da tela para a série e a plataforma
Quebrando o Tabu virou marca. Em 2018, o tema chegou ao GNT como série de duas temporadas, com direção geral de Fernando Grostein Andrade e Guilherme Melles, ampliando o debate para aborto, privacidade, racismo e democracia. A página do projeto no Facebook se tornou uma plataforma de mídia com 21 milhões de seguidores, e o trabalho recebeu homenagem no Prêmio Cidadão SP, do Catraca Livre.
Para quem estuda políticas de drogas, saúde pública, segurança ou direitos humanos, o filme funciona como porta de entrada acessível: em vez de tratar o tema apenas pela ótica criminal, organiza depoimentos de ex-chefes de Estado e relatos de pessoas afetadas pela guerra às drogas. As entrevistas também fazem do documentário um registro de um momento em que o Brasil discutia abertamente a descriminalização.
O filme está disponível para streaming no Prime Video, com opções de acesso pela plataforma no Brasil.





