Quem foi que inventou o Brasil? – Volume Zero é o livro em que Franklin Martins recua no tempo para mostrar a música popular como crônica do Império e do começo da República. Publicado em 2023 pela Kotter Editorial, com 614 páginas, ele cobre o período de 1822 a 1906 — muito antes da indústria fonográfica brasileira, que só nasceu em 1902, com a Casa Edison.
O que o volume reúne
São 296 canções sobre fatos, personagens e processos políticos, econômicos e sociais da época; 237 delas têm letras e partituras ou indicações de música. Desse total, 102 já haviam sido gravadas em algum momento, e 135 foram gravadas para o projeto, a partir de partituras do século XIX decifradas pelo músico João Nabuco. Os versos comentam o Grito do Ipiranga, as tensões do Primeiro e do Segundo Reinado, a campanha abolicionista, a Guerra do Paraguai, a Revolta do Vintém e a passagem para a República, em gêneros como lundu, modinha, cançoneta e os versos cantados em circos e no teatro de revista.
Como a pesquisa foi feita
Foram cinco anos de garimpo em cancioneiros publicados desde os anos 1870, obras de musicólogos, historiadores e folcloristas, textos de teatro musicado e cerca de 20 arquivos de partituras no Brasil e em Portugal. A hemeroteca digital da Biblioteca Nacional ajudou a checar datas de composição, autorias e paródias. Muitas composições jamais haviam sido registradas; em alguns casos, apenas as letras sobreviveram, e foram publicadas nos anexos dos capítulos.
Para quem é o livro
O Volume Zero interessa a quem pesquisa história do Brasil, música popular brasileira, carnaval e teatro de revista, além de professores que buscam uma porta de entrada diferente para o século XIX. Não é preciso conhecer teoria musical: cada verbete traz os dados técnicos, a letra e o contexto histórico da canção, e as gravações podem ser ouvidas gratuitamente no site oficial da obra. Na apresentação, o autor resume a proposta: "Este não é um livro sobre música, mas um livro com música. É uma obra para ser lida e escutada".





